7 de setembro de 2013 às 15h25min - Por Mário Flávio

Uma cidade com pouco mais de 300 mil habitantes, uma porcentagem representativa de eleitores. Cidadãos um tanto quanto conscientes (outra parcela completamente desligada do dia a dia), enfim, estamos numa típica cidade interiorana do Brasil. Eis que num sábado de clima agradável, feriado nacional, em meio a um desfile que tenta celebrar uma independência que não existe, há um palanque armado para as autoridades (resquícios do Império Romano). Nele estão vários rostos bastante conhecidos desta cidadela (gente famosa, gente elegante, gente bonita, gente falante, gente cheia de empregados – pois que são comerciantes que se reconhecem como empresários – e outros garbosos convidados).

Ao povo, cabe os espaços da rua, as calçadas e os olhos voltados para as imponentes fardas, armas e viaturas do aparato militar que há bem pouco tempo reprimia estudantes e subversivos país afora. Além das bandas marciais escolares em marcha num misto de som, nostalgia, suor e ‘patriotismo’ (palavra que caminha meio em desuso, por força das circunstâncias políticas nacionais).

Contudo, a minha pergunta (que eventualmente também pode ser sua) é: em que palanque está o prefeito? Não era justamente ele que outrora ostentava o certificado de ‘homem de luta’ por ter ingressado na juventude do MDB nos anos obscuros? Não era ele o bravo soldado do povo que heroicamente se lançaria, pouco tempo depois, como candidato à prefeito pelo PMDB? Este partido não abrigava os defensores da democracia? Aliás, PMDB significa Partido do Movimento DEMOCRÁTICO Brasileiro. Hoje ele não está no PDT? Partido que teve como maior expoente o gaúcho Leonel Brizola – brasileiro que sugeriu um levante armado nos anos de 1960?

Não vi o prefeito. Ele, o chefe do Poder Executivo, o estandarte da democracia e da vontade popular esteve ausente. Assim como também não foi possível vê-lo no dia do aniversário da cidade, 18 de maio. O que houve? Seria real a informação de que ele, o democrático-trabalhista, não gostaria de ser incomodado por eventuais manifestações de protesto na rua? A mesma rua que o MDB quis que fosse devolvida ao povo?

Por isso que não consigo entender os descaminhos do Brasil quando os encontro reproduzidos na minha cidade – que também, eventualmente, pode ser sua. Símbolos humanos da democracia que rejeitam manifestações populares… Esquisito, não? O cantor e compositor carioca Lobão perguntaria, nos idos de 1989: “O que é democracia ao sul do Equador?”. Caro Lobo… Ainda não temos uma resposta.

Viva a Independência do Pensamento, pois a do Brasil ainda parece mera imagem longínqua.

Meu nome é Jotabê , moro no Cafundó. Nasci em Caruaru.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro