26 de maio de 2012 às 07h13min - Por Mário Flávio

Começamos a semana com o foco no Partido dos Trabalhadores de Recife e as discussões sobre as prévias que pontuaram vários debates e depoimentos na mídia e redes sociais. Fechando a semana o anúncio da direção política do PCdoB local, através de Lícius retirando sua pré-candidatura visando o fortalecimento da Frente Popular. Nessa “novela” aguarda-se ainda um desfecho com o entendimento entre o vice-governador e o prefeito do município. Entre eles existem muitos articuladores, lideranças partidárias, dirigentes sindicais e agentes políticos que entram em cena para ajudar na condução do processo, muito embora muitos, bem intencionados ou não, acabam atrapalhando.

O jornalista Cláudio Bojunga torna público em seu livro JK – A POLÍTICA COMO A ARTE DE CONCILIAR algumas confissões do ex-presidente JK. Ele cita Carlos Lacerda, grande opositor e conhecido como “DEMOLIDOR de presidentes”. Ao contrário de Lacerda, temos os “conciliadores”, aqueles que entendem a política como a arte de negociar.
Jucelino representava a essência do “político mineiro”, habilidoso, CONCILIADOR, articulador capaz de aparar arestas e conviver com adversários que via como potenciais aliados.

No cenário de guerra político-parlamentar, sem armas porém igualmente violenta, JK colocaria em prática sua concepção da política como a arte de transformar adversários de hoje em aliados de amanhã. Construindo pontes de entendimento com correntes udenistas, para ter sucesso na aprovação de seus projetos no Congresso. Ao mesmo tempo em que isolava politicamente os ruidosos parlamentares oposicionistas.

Estrategicamente apoiava as correntes não-lacerdistas dentro da UDN, enfraquecendo a liderança carismática e autoritária de Lacerda. Em contrapartida baixou uma portaria – a famosa Cláusula R – proibindo o acesso do “demolidor dos presidentes” aos meios de comunicação. JK conclui seu mandato em 31 de janeiro de 1961, e passa a dedicar tempo integral às articulações políticas capazes de garantir sua volta ao Planalto em 1965.

Pouco depois do golpe de 64, a chamada “Frente Ampla” foi lançada oficialmente por um manifesto, divulgado em 27 de outubro de l966, assinado por João Goulart, o Jango, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, sendo esses três últimos as principais lideranças dos maiores partidos anteriores a 1964: o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido Social Democrata (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN). Os partidos comunistas (PCB e PCdoB) haviam sido postos na ilegalidade desde 1947.

A “Frente” lança um manifesto que proclamava: “Se para a recomendação e adoção de tais diretrizes o simples amor ao Brasil é capaz de inspirar este entendimento entre adversários, de prodígios bem maiores será capaz o povo mobilizado e organizado, uma vez recuperada a esperança que perdeu. … Pela união popular para libertar, democratizar e desenvolver o Brasil”. Ainda que por um breve tempo, JK e Lacerda estiveram juntos nesta Frente Ampla. Depois veio o AI-5 revertendo isso tudo.

Anos depois o CONCILIADOR e o DEMOLIDOR morrem ambos de forma suspeita. Tão perto da chamada abertura política, que poderia ainda brindar o país com a convivência de ambos, deixando o exemplo de ser possível haver convergência em meio a divergências.

O passado histórico nos possibilita isso: evitar cometer os mesmos erros no presente.A arte da negociação é um processo longo, exige calma e autocontrole. Ouve-se mais e fala-se menos, com objetivo de entender e não para rebater. O respeito predomina e sempre que possível busca-se conselhos antes de tomar a decisão.

1º Encontro Democracia e Direitos Humanos – Segunda-feira (28), a UFPE sediará o 1º Encontro Democracia e Direitos Humanos: Diálogos com a Mídia, a ser realizado no miniauditório 1, do Centro de Artes e Comunicação (CAC), das 9h às 12h, com a presença de professores, jornalistas e integrantes de movimentos sociais.

A Sociedade Pensando a Cidade – Acontece neste sábado, 26, a segunda reunião do Fórum Caruaru: A Sociedade Pensando a Cidade. O local é o auditório do SINDECC que fica na Rua do Norte no Centro de Caruaru. Estão convidados todos que independente de partido político, pensem a cidade e os seus desafios na atualidade.
Para reflexão:

Não houve “dois lados”. Houve o golpe de Estado perpetrado por militares e a derrubada de um governo constitucional e democraticamente eleito. A ditadura implantada cassou e caçou partidos e políticos, e criou um aparelho repressivo (“o monstro”,segundo o general Golbery) que instalou centros de torturas mantido com recursos públicos e privados. Frei Betto sobre A COMISSÃO DA VERDADE

Paulo Nailson é dirigente político com atuação em movimentos sociais, Membro da Articulação Agreste do Fórum de Reforma Urbana (FERU-PE) e Articulador Social do MTST. Edita a publicação cristã Presentia. Foi dirigente no PT municipal por mais de 10 anos. Cursa Serviço Social


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro