22 de janeiro de 2014 às 18h54min - Por Mário Flávio

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Blog da Folha

O governador Eduardo Campos (PSB) dispensará um tratamento diferenciado ao vice-governador João Lyra Neto (PSB) na conversa que os dois travarão sobre a sucessão estadual. A suposta insatisfação que o ex-pedetista estaria externando nos bastidores com o andamento do processo – ele não se veria ouvido – preocupa o líder da Frente Popular, que pretende ressaltar a importância que o correligionário tem no sucesso de avaliação popular do seu governo. Campos estaria disposto a fazer um resgate de todos os momentos em que Lyra esteve do seu lado, demonstrando lealdade.

Eduardo quer mostrar que reconhece o valor do seu vice, inclusive, o de saber esperar. A sucessão de 2010, quando João Lyra teve que esperar até o último momento para saber se voltaria a compor a chapa majoritária, deve ser um dos exemplos que serão utilizados pelo presidenciável. O governador destacará que o correligionário aguardou até o último momento, sem fazer questionamentos públicos, as negociações sobre o melhor formato do time que representou a Frente Popular naquele pleito.

Na época, também ingressaram na chapa os senadores Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro Neto (PTB). Campos disse que precisa realizar a composição partidária mais ampla no processo, que para muita gente nos bastidores do bloco governista serviu para “fritar” o nome do vice-governador.

Todo esse cuidado que o líder da Frente Popular teve o seu primeiro ato na última entrevista concedida por Eduardo sobre a sucessão estadual. O governador fez questão de frisar que o vice será o primeiro nome a ser procurado para discutir o processo, uma vez que Lyra estará à frente do Governo do Estado a partir de 4 de abril.

Pessoas próximas ao governador fazem a avaliação que é necessário desfazer todos os ruídos para que o vice possa se integrar ao projeto de recondução da Frente Popular ao Palácio do Campo das Princesas, ao invés de praticamente forçar a sua exclusão.

Os rumores sobre a provável insatisfação de João Lyra com o andamento das discussões sobre a sucessão estadual surgiram após as especulações de que o processo teria afunilado e o governador Eduardo Campos estaria entre a escolha por Tadeu Alencar (Casa Civil) e Paulo Câmara (Fazenda), com uma suposta vantagem para o primeiro secretário. Houve, inclusive, a suposição de que Lyra poderia renunciar ao mandato de governador para dar lugar ao presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Uchoa (PDT). Procurado, o vice prefere não comentar o assunto.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro