Uma declaração do ministro do Desenvolvimento Social e coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Wellington Dias, provocou desconforto na relação entre o PT e o PSB em Pernambuco. Após afirmar, em entrevista ao jornal O Globo, que Lula poderia dividir sua agenda eleitoral entre os palanques do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), e da governadora Raquel Lyra (PSD), o ministro precisou entrar em campo para tentar desfazer o mal-estar gerado junto ao principal aliado petista no Estado.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, Wellington Dias telefonou para João Campos na segunda-feira (8) e voltou a conversar com o dirigente socialista nesta terça-feira (9). Durante os contatos, o ministro explicou que sua declaração teria sido mal interpretada. De acordo com ele, a intenção era destacar que Lula conta com o apoio político tanto de João quanto de Raquel Lyra, e não sinalizar uma eventual neutralidade do presidente na disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026.
A fala de Dias repercutiu negativamente entre aliados de João Campos, que já vinham demonstrando preocupação com setores do PT favoráveis a uma postura de neutralidade de Lula na eleição estadual. O incômodo chegou à direção nacional petista. De acordo com a reportagem, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, também conversou com Wellington Dias e reforçou que o partido já definiu apoio à candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco, orientando o ministro a evitar declarações que possam gerar interpretações divergentes.
O episódio ocorre em um momento de maior competitividade na disputa estadual. Embora João Campos tenha liderado pesquisas durante boa parte do período pré-eleitoral, levantamentos mais recentes apontam crescimento da governadora Raquel Lyra. Integrantes do PSB avaliam que qualquer sinalização de neutralidade por parte de Lula poderia enfraquecer o projeto eleitoral do socialista em Pernambuco, estado considerado estratégico para o presidente na eleição do próximo ano.

