6 de outubro de 2013 às 00h15min - Por Mário Flávio

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Desde a última quarta-feira (02) que está funcionando na estação ferroviária o Teatro de Mamulengos “Mamusebá”. A convite do mestre Sebá fui neste sábado (05) conhecer a estrutura de perto e saí de lá encantado. Como foi bom rever o teatro de mamulengos e fazer uma volta ao passado, diga-se de passagem, não muito distante. Por lá pude rever a atuação incomparável de Benedito, um boneco lendário que já faz parte do folclore caruaruense. Ele e suas falas sempre engraçadas, levando crianças e adultos a dar boas risadas.

Voltei ao passado com a apresentação de um casal antes do show dos mamulengos. Como foi bom ouvir de novo algumas palavras que se perderam com o tempo e as crianças da geração “Y” esquecerem de smartfones e tabletes, por alguns minutos. Antes do início do show, ouvi de meninos e meninas, por várias vezes a essa pergunta: “o que é o mamulengo?”. Cada pai, mãe ou tia explicava a sua maneira e deixava o suspense no ar. Ainda houve espaço para apresentação de um palhaço de nome engraçado, que com os malabares no escuro, chamou atenção de todos.

Antes da apresentação oficial as vozes em off, lembrando deuses falando os nomes dos meninos e meninas, só aumentava a curiosidade, a respeito de quem estava falando e com certa intimidade, chamando a todos pelo nome. O ápice da noite foi o início do show dos bonecos. Boa parte das crianças foi apresentada naquele momento e tiveram um mistura de sentimentos. Alguns se assustaram e outros olharam para os pais, como foi o meu caso, e perguntaram: “Esses são os mamulengos?”.

A cada diálogo, música ou interação com a plateia, percebemos que a nossa cultura de raiz pode ser preservada. Não falo aqui de um sentimentalismo pelo passado apenas por falar, mas de valorizar tradições e raízes, que andam meio fora de moda e esquecidas por muita gente. Durante a apresentação eu tive que me dividir, entre ver o espetáculo e comprar pipoca ou capucho (algodão doce) para as crianças. Entre uma andança e outra, parei e olhei para toda aquela estrutura.

Tanta gente envolvida, servindo a todos, alegrando as crianças, vendendo pipocas, refringentes ou algodão doce. Uma trupe inteira com um sorriso aberto e com um único intuito: dar mais alegria as crianças e adultos que ali estavam. Uma noite que vai ficar na minha memória e na dos meus filhos, esposa, sobrinho, mãe e todos os que estavam ali. As apresentações irão seguir sempre a partir de 20h aos sábados e domingos, tendo uma matinê também no domingo às 16h.

O visitante ainda degusta a Arte Viva do mestre Zé Gomes. Nesse espaço as crianças são apresentadas ao pau de sebo, corrida de saco, quebra panela, gangorra e tantas outras brincadeiras que caíram no esquecimento da maioria do nosso povo. Ainda existe uma réplica de uma Casa de Farinha, os bonecos ficaram perfeitos e nos permitem fazer outra viagem no tempo e explicar as crianças o que significa cada brincadeira daquela ali exposta.

Tomara que o espaço cedido pela Fundação de Cultura e Turismo não fique apenas restrito ao mês de outubro, data especial para as crianças. Que este local ganhe datas fixas durante todo o ano, público não vai faltar. Obrigado a Sebá e toda trupe, que nós deram mais um pouco de alegria e a certeza que a cultura de raiz segue viva e com espaço para ser prestigiada. Viva os mamulengos do Mestre Sebá!


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro