15 de fevereiro de 2013 às 07h55min - Por Mário Flávio

A política do Brasil perdeu ontem um dos políticos mais importantes da recente história da democracia brasileira. Morreu em São Paulo o ex-ministro da Justiça Fernando Lyra, que foi um dos principais responsáveis pela volta da democracia ao Brasil. Deputado estadual em um mandato, outras sete vezes representou Caruaru na Câmara Federal e ainda foi candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Leonel Brizola, em 1989.

Com uma retórica indispensável para qualquer político o ex-ministro conseguiu unir todas as qualidades que faltam a maioria dos políticos atuais. Nunca um cidadão caruaruense foi tão ovacionado como Lyra. Os principais jornalistas da política nacional, aliados, adversários e até a presidenta da República emitiu nota de pesar pela morte de Fernando. Reconhecimento merecido pelo legado que ele deixou. Sou de uma geração pós-regime militar, mas cresci ouvindo as traumáticas histórias sobre a maneira que o Brasil era comandado.

Nesse contexto surge a importância de Fernando Lyra. Após a derrota da emenda Dante, mais conhecida como Diretas Já, só um político moderado poderia vencer o candidato dos militares, Paulo Maluf. E foi justamente a visão política e futurista de Fernando, que enxergou em Tancredo Neves, então governador de Minas Gerais, essa possibilidade. A coordenação da campanha foi dada a ele, que consegui convencer a maioria dos deputados a votar em Tancredo.

O Brasil voltava a sorrir e ter esperança. Lyra não foi nenhum revolucionário, daqueles tradicionais como estamos acostumados a ver. Mas fez uma revolução política no Brasil com a eleição de Tancredo. Ficou um ano no Ministério da Justiça e devido a falta de sensibilidade de José Sarney, deixou a Pasta. Em um ano apenas, acabou com a censura no Brasil.

Mas o maior legado de Fernando para a atual conjuntura política é não ter uma mácula em sua vida pública. Nunca teve o nome envolvido em nenhum tipo de escândalo ou suspeita de corrupção, situação tão banal hoje em dia. Tomara que no futuro próximo surjam novos Fernandos, só assim teremos uma política mais justa e um país com um futuro melhor.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro