20 de janeiro de 2014 às 07h25min - Por Mário Flávio

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Após prestarem depoimento ao Ministério Público de Pernambuco os vereadores da base do governo investigados pela Operação Ponto Final deram detalhes do que disseram aos promotores Maviael de Souza e Bianca Stella. De acordo com o relato dos parlamentares havia uma relação viciada entre Legislativo e Executivo, principalmente para votar a favor de projetos de interesse da prefeitura municipal.

Sivaldo Oliveira (PP), Val das Rendeiras (PROS) e Jadiel Nascimento informaram que foram ameaçados em várias votações e para provar o que disseram, solicitaram aos promotores a quebra de sigilo telefônico, principalmente nos dias de votações importantes. Sivaldo Oliveira garantiu que recebeu ligações do vice-prefeito Jorge Gomes (PSB) e do secretário de Relações Institucionais, Marco Casé (PTB), que teriam feito ameaças em nome do prefeito Zé Queiroz (PDT).

“No dia da votação da LOA e PPA recebi ligação do secretário Marco Casé perguntando a respeito do meu voto e se eu iria aprovar. Ele passou o telefone para o vice-prefeito Jorge Gomes, que no momento era o prefeito, decorrente da viagem de José Queiroz. Ele disse que o prefeito determinou que todos os projetos deveriam ser aprovados, caso contrário, eu estaria fora do governo”, disse.

Já o vereador Val das Rendeiras confirmou que recebeu telefonemas com orientações para votar a favor do governo, caso contrário, perderia benesses no Executivo. “Recebi ligação com ameaças, caso não votasse a favor do que o governo queria, iria perder os cargos que tenho na prefeitura. Quero que na data específica o meu sigilo telefônico seja quebrado, para que vocês saibam que estava do outro lado”, disse.

O vereador Cecílio Pedro (PTB) preferiu não ser ouvido, mas os advogados de defesa confirmaram que ele vai solicitar a quebra do sigilo e também teve ameaça de retirada de cargos do governo para votar de acordo com o Executivo.

Diante dos depoimentos, os promotores decidiram que outros políticos do legislativo e executivo poderão ser alvo da investigação. “O objeto do procedimento é a questão da moralidade administrativa reinante na Câmara e isso pode motivar a investigação de outras pessoas, que podem ser outros vereadores e políticos que tiveram relacionamento com vereadores, baseado nas informações trazidas pelos que foram ouvidos hoje. Isso se indicarem fundamento para tanto”, expôs o promotor Maviael de Souza.

A promotora Bianca Stella disse que não vai citar nomes de possíveis envolvidos em novas investigações. “Não queremos antecipar o juízo de valor, são declarações e cada um tem o interesse, por isso a necessidade de contextualizar para preservar os nomes das pessoas. Existe hoje a indicação entre os passos da conversão do procedimento preparatório em inquérito civil e há também a possibilidade no correr desses dias que as ações de improbidade comecem a ser ajuizadas, se assim houver fundamento”, observou.

Além dos quatro governistas foram ouvidos pelo Val (DEM), Louro do Juá (SDD), Eduardo Cantarelli (PSDB) e Jajá (PPS). Os vereadores Neto (PMN) e Evandro Silva (PMDB) devem ser ouvidos na semana que vem. Por meio de nota, a prefeitura de Caruaru informou que declarações prestadas ao Ministério Público estão na esfera do poder judiciário. E, se necessário, prestará toda a colaboração necessária para elucidação dos fatos.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro