3 de abril de 2013 às 08h55min - Por Mário Flávio

20130403-084943.jpg

Em meio a mais um protesto dos professores na Câmara Municipal de Caruaru na noite dessa terça-feira (02), os vereadores de oposição resolveram criticar as restrições à entrada de manifestantes na galeria da Casa, decisão tomada pela presidência do legislativo, com o objetivo de evitar tumultos. Eduardo Cantarelli (PSDB), especialmente, fez um discurso mais exaltado e ironizou a decisão tomada pelo presidente Leonardo Chaves (PSD), questionando se essa limitação tinha vindo a mando da prefeitura. Depois de alfinetadas na tribuna entre vereadores, quase toda a bancada de oposição decidiu se retirar da reunião, à exceção de Evandro Silva (PMDB) e Rozael (PMN), que decidiram continuar acompanhado a sessão.

No contexto

Mesmo impedidos de lotar Câmara de Caruaru, professores protestam e chamam vereadores de “Escravos de Zé”

“O espaço desta Casa deveria ser aberto ao Povo, então não entendo essa justificativa de restringir a entrada de professores, que estão no direito de se manifestar. Eu queria sabe se essa decisão foi a mando da prefeitura, por acaso”, alfinetou Eduardo Cantarelli, que foi depois rebatido por Zé Ailton (PDT). “Ninguém foi proibido de entrar na Câmara, todos podem entrar no local, o que não pode é haver tumulto”, criticou. Mas quem realmente se exaltou com a declaração do tucano foi Leonardo, que considerou o comentário de Eduardo desrespeitoso. “A atitude de Eduardo, talvez por ser imaturo, ele foi infeliz, foi uma atitude desrespeitosa, ninguém aqui estava sendo submisso ao prefeito, não. Fazemos parte de uma bancada e a gente está no mesmo barco e tem que lutar por essa bancada, não é questão de submissão. Vereador de oposição tem que se dirigir de forma educada aos demais companheiros da Casa”, reclamou o presidente, que disse em tribuna que os vereadores de oposição estavam tentando tirar proveito do protesto dos professores para aparecerem.

Pouco depois das trocas de farpas na tribuna, Eduardo Cantarelli (PSDB),Louro do Juá (DEM), Val (DEM), Neto (PMN) e Jajá (PPS) decidiram se retirar da reunião, alegando que queriam mostrar que não estavam querendo se aproveitar do protesto. “A forma com nós saímos foi por conta de o presidente achar que nós estávamos querendo tirar algum proveito do protesto. Para que não se achasse que estávamos querendo atrapalhar a reunião, nós decidimos sair. Mas eu achei isso muito injusto, nunca vi isso na minha vida, é uma falta de critério e aí está a prova de nossa luta por uma Câmara independente, pois se fosse dessa forma, isso não aconteceria”, relatou o vereador Val.

Os vereadores passaram o restante da reunião em frente à Câmara, enquanto Evandro Silva e Rozael continuaram no expediente da Casa. Ao blog, Evandro explicou que permaneceu na reunião a decisão dos colegas foi repentina e não queria levar falta. “Cada vereador é independente. Vi ao plenário, sair da reunião e levar falta pra mim é não vir. Eu já dei minha posição sobre o PCC dos professores, se o prefeito mandar outro projeto vamos estudá-lo, para acrescentar ou retirar algo. Mas, por ser da oposição, eu não vou achar que é tudo certo, ou tudo errado. Eu tenho minha linha de pensamento. Na minha opinião, temos que respeitar as decisões da presidência da Casa, mas por mim, eu teria deixado as portas abertas para todos os professores”, ponderou. Ao final da reunião, o vereador Leonardo Chaves ainda pediu que fosse citada na ata uma palavra de repúdio ao discurso feito por Eduardo Cantarelli. E, em paralelo a tudo isso, os professores seguiram com mais um protesto contra a atualização do PCC da da categoria, tomando como alvos os vereadores, que eles consideram inimigos da educação, por terem aprovado o novo projeto de plano de cargos e carreiras por unanimidade.


Comentários


...

Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro