5 de abril de 2018 às 07h37min - Por Mário Flávio

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Por Inaldo Sampaio

A ditadura militar foi formalmente extinta em 15 de janeiro de 1985, quando foi empossado o civil José Sarney na Presidência da República. Mas do ponto de vista prático o Exército continua tutelando a nação brasileira.

Se dúvida havia a esse respeito, atente-se para as declarações, inoportunas e extemporâneas, que o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, postou em seu twitter na véspera do julgamento pelo STF do habeas corpos preventivo em favor de Lula.

“Asseguro à nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem, de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.

Foi uma ameaça direta aos ministros da Suprema Corte, que decidiriam no dia seguinte se manteriam ou não o entendimento de que réu condenado em segunda instância deve começar imediatamente a cumprir a pena. O habeas corpus foi negado.

Mas, e se tivesse sido concedido? Teríamos um novo golpe militar como o 64, que depôs o presidente João Goulart e atirou o país numa ditadura que durou 20 anos? Não é papel do comandante do Exército dizer à Suprema Corte o que seus ministros devem ou não fazer. Isso era regra no tempo da ditadura, quando qualquer declaração de um general, sobre qualquer tema, virava manchete de jornal.

Tivéssemos um ministro da Segurança forte ou um presidente da República com autoridade moral, o general Villas Bôas teria sido exonerado minutos após a postagem de suas infelizes declarações.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro