O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu temporariamente o processamento de novas filiações partidárias no sistema Filia após identificar movimentações consideradas irregulares nos registros de candidatos às eleições de 2026. A decisão ocorreu depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, apareceu registrado como filiado ao partido Missão, sem autorização. O episódio chegou a comprometer, de forma provisória, o registro de sua candidatura pelo PL.
Segundo informações divulgadas pelo TSE, a inserção da filiação de Flávio não teria ocorrido por meio de um ataque hacker ao sistema, mas pelo uso indevido de credenciais legítimas de acesso. O caso levou o presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, a determinar a abertura de investigação e o encaminhamento do episódio à Procuradoria-Geral Eleitoral. A filiação de Flávio ao Missão foi posteriormente desfeita, com o restabelecimento de seu vínculo com o PL.
Além do caso envolvendo Flávio Bolsonaro, o TSE identificou uma tentativa de alterar a filiação partidária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mudança, no entanto, foi bloqueada antes de ser efetivada. A suspensão do processamento foi adotada como medida de segurança para permitir a apuração das ocorrências e o reforço dos mecanismos de proteção do sistema.
Apesar da suspensão, o TSE informou que a medida não interfere nos prazos eleitorais previstos para as Eleições 2026. O calendário eleitoral estabelece 15 de agosto como data-limite para o registro das candidaturas, enquanto o prazo mínimo de filiação partidária exigido para concorrer ao pleito já foi encerrado.
O sistema Filia é utilizado pelos partidos para administrar os registros de seus filiados, incluindo inclusões, alterações e exclusões. As informações são encaminhadas à Justiça Eleitoral, que utiliza os dados para verificar, entre outros requisitos, o cumprimento das regras de filiação exigidas para o registro de candidaturas.

