30 de agosto de 2018 às 07h09min - Por Mário Flávio

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), após denúncias, realizou uma fiscalização na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Boa Vista, que integra a rede municipal de saúde Caruaru, no Agreste Pernambucano. A blitz foi comandada pelo presidente do Simepe, Tadeu Calheiros; a vice, Claudia Beatriz, e o diretor executivo Walber Steffano. Juntos, eles conversaram atentamente com os plantonistas e o diretor técnico do complexo hospitalar, constatando vários problemas e dificuldades que ocorrem diariamente no local.

Entre as principais queixas do corpo clínico está o número excessivo de pacientes para cada profissional, em 12h de trabalho. Para se ter uma ideia, os médicos chegam a atender cerca de 85 pacientes num plantão. Além disso, há um grave déficit na escala – que deveria ser de quatro médicos apenas para a demanda espontânea de “porta aberta”, mas conta somente com dois. Essa sobrecarga descumpre integralmente a resolução 01/2005, art 01, inciso IV, do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), que regulamenta um máximo de 36 atendimentos nesta carga horária citada.

Além disso, há outros dois graves descumprimentos por parte da gestão municipal, de acordo com o Simepe. Uma delas é referente à resolução do Cremepe, nº 11/2014, que veda ao médico plantonista ausentar-se de seu plantão para transferência de pacientes, salvo em casos que ofereçam risco imediato à vida, além de assegurar uma equipe exclusiva para esse transporte inter-hospitalar.

De acordo com dados coletados na Upa, há uma média de 180 transferências por mês. Dessas, em cerca de 30 ocorrências, o médico plantonista precisa sair da emergência, deixando apenas um único colega de trabalho com toda a demanda.

O Simepe diz que outro descumprimento atinge a resolução Nº 2079/2014, do Conselho Federal de Medicina (CFM). De acordo com a essa normativa, a sala de estabilização ou sala vermelha das UPAs devem ter a capacidade de no mínimo dois leitos e contar com um médico exclusivo no local. Fato que não acontece nesta unidade, que conta com três leitos de sala vermelha e outros oito de área amarela, mas sem profissional designado especificamente a elas, sobrecarregando a equipe já desfalcada.

Outro grave problema relatado pelos médicos diz respeito à falta de segurança, a unidade só tem três porteiros, mas nenhum vigilante – de fato. Diante dessa situação, os casos de ameaças, agressões verbais e físicas aumentam diariamente.

O presidente do Simepe, Tadeu Calheiros, disse que esse cenário é lamentável, visto que, além de tudo, a prefeitura protela as discussões para uma solução efetiva. “É triste saber que um município da grandeza de Caruaru ainda conta com problemas importantes como esses que constatamos na UPA. No entanto, mais triste ainda é a postura da gestão municipal em adiar, sucessivas vezes, uma mesa negocial para evoluir nas tratativas dessas questões essenciais para uma boa prática da medicina na cidade. Com isso, já são dois anos sem ações efetivas e não podemos mais esperar”, pontua.

O Simepe ainda aguarda a definição de uma nova data para o encontro com a Prefeitura de Caruaru, que ocorreria nesta terça-feira, mas foi desmarcado às vésperas do horário combinado.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro