30 de abril de 2012 às 20h32min - Por Mário Flávio

Reportagem: Fernandino Neto

Nesta terça-feira, 1º de maio, o Jornal VANGUARDA de Caruaru comemora 80 anos de fundação. Uma data bastante simbólica para um periódico que nasceu numa cidade interiorana na década de 1930 e manteve-se em circulação, em suas primeiras décadas, superando muitos obstáculos – sobretudo financeiros. Para festejar a data, uma Sessão Solene na Câmara Municipal de Caruaru foi agendada. O evento terá início às 19h com discursos, homenagens, coquetel e muita emoção. Na mesma noite, a diretora administrativa do semanário, Mércia Lyra, receberá a Medalha José Carlos Florêncio e o repórter Wagner Gil, o Título de Cidadão de Caruaru.

O discurso de abertura será pronunciado pelo ex-prefeito Anastácio Rodrigues, que é também presidente do Instituto Histórico de Caruaru. Anastácio possui uma ligação especial com o VANGUARDA. Em 1939, aos 11 anos, Anastácio encontrou no jornal a sua segunda escola, passando a trabalhar no semanário, que funcionava na rua 15 de Novembro e estava há sete anos circulando sob os cuidados de seu fundador, o jornalista José Carlos Florêncio. O ex-prefeito ocupou outros cargos no jornal, para o qual continua colaborando até os dias atuais. As homenagens serão estendidas aos primeiros diretores do periódico: José Carlos Florêncio (fundador), Edson Limeira Rosal (primeiro gerente) e Gilvan Silva (segundo proprietário do jornal).

Também receberão homenagens chefes de redação que passaram pelo VANGUARDA após 1985 – ano em que o semanário foi adquirido pelo grupo Lyra e começou a se profissionalizar: Marlene Leandro, Roberto Numeriano, Ivan Maurício, Josilene Barbosa, Eliedson Bandeira, Giovana Mesquita, Lucivanda Leite, Pedro Romero e Léa Renata, que hoje está na chefia. Durante a noite, também serão festejados o colaborador mais antigo do jornal, Antônio Miranda, que se despediu do periódico recentemente, e a funcionária mais antiga, Rosemere Aguiar, gerente comercial do VANGUARDA. O vice-governador João Lyra Neto fará o discurso de encerramento da solenidade.

Ao longo de oito décadas, o VANGUARDA vem cumprindo um papel importante em Caruaru. Sua história tem início com o jovem destemido José Carlos Florêncio, então com 20 anos. Ele trabalhava como guarda-livros (contador) da firma Santino Cursino e, quando deixou o emprego, decidiu criar um jornal. Procurou o coronel Leocádio Porto, chefe político da época, para alugar as oficinas onde era rodado o “Cinco de Novembro”, jornal político que estava fora de circulação. O coronel aceitou a proposta. O acervo material e anúncios foram adquirido de “O Pororoca”, um jornal irreverente e humorístico de propriedade de José Férrer.

O nome do jornal foi escolhido na redação de “O Pororoca”. Em abril de 1932, estavam reunidos na sede do jornal os amigos Severino Florêncio Pereira, José Carlos Florêncio, Edson Limeira Rosal e Enedino Martins. Há horas, discutiam sobre o nome que deveria ser dado ao novo periódico caruaruense. Eis que surge, casa adentro, o conhecido Pedro Carteiro para entregar um jornal vindo do Rio de Janeiro, Vanguarda, dirigido por Ozeas Mota. Ao ver o nome, um dos participantes disse que VANGUARDA seria o nome do novo jornal. Todos concordaram. Em 1º de maio de 1932, o jornal começou a circular em 12 municípios do Agreste, entre eles Caruaru, Agrestina, Bezerros, Bonito, Garanhuns, Arcoverde e Recife.

Quando José Carlos Florêncio morreu, em 1964, o VANGUARDA estava arrendado a Gilvan Silva e continuou nesta condição até 1968, quando o ex-varredor adquiriu o semanário. Gilvan deixou sua marca na história do jornal principalmente por ter ousado, em 1977, fazer uma aposta arriscada: tornar o VANGUARDA diário. Como ele mesmo citava, foi “uma luta terrível” que teve início com a aquisição de máquinas modernas em Brasília. As dificuldades para saldar as dívidas eram muitas e, depois de 11 meses circulando diariamente, o jornal voltou a ser semanal. Gilvan foi proprietário até as 10h do dia 15 de novembro de 1985, quando vendeu ao grupo Lyra, que modernizou e profissionalizou o semanário mais antigo em circulação no Interior do Brasil.

As páginas do VANGUARDA registraram, ao longo de 80 anos, as ideias e pensamentos dos mais expressivos nomes das letras e do jornalismo caruaruense, a exemplo de Nelson Barbalho, Lycio Neves, Luiz Torres, Celso Rodrigues, Antonio Miranda, Limeira Tejo, Claribalte Passos, José Condé, entre tantos outros. Além de cumprir a missão de levar à sociedade os principais acontecimentos da cidade e do Estado, o VANGUARDA é também o principal acervo histórico da cidade de 1932 até os nossos dias, servindo como fonte de pesquisas de diversos tipos.

As homenagens não param por aí. No dia 30 de maio, VANGUARDA será festejado pela Associação Caruaruense dos Amigos da Música (Acamus). Além disso, o deputado estadual Ricardo Costa (PTC) apresentou à Assembleia Legislativa de Pernambuco um Voto de Aplausos pela passagem dos 80 anos. Também neste mês de maio,VANGUARDA passará a circular com nova diagramação, através de um moderno e elaborado projeto de Socorro Polycarpo. “O nosso VANGUARDA – nosso porque é patrimônio do povo de Caruaru – vem cumprindo um papel que empolga e orgulha a todos que, direta ou indiretamente, ajudam a fazê-lo. Não nos falta compromisso com a cidade e com seu desenvolvimento. Mais que fatos, registramos História”, conclui a diretora Mércia Lyra.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro