12 de março de 2013 às 08h45min - Por Mário Flávio

O deputado federal Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS, concedeu entrevista no Programa Roda Viva, veiculado na Empresa Brasil de Comunicação. Ele falou sobre as primeiras movimentações dos partidos políticos com vistas à sucessão de 2014. Questionado sobre a possibilidade de o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), se lançar na disputa, Freire afirmou que a candidatura pode se tornar uma alternativa consistente ao projeto do PT, a partir de um racha na base aliada do próprio governo.

“Se ele vier a ser candidato, vem como alguém que rompe a base do governo pela esquerda e pode atrair outros setores. Eu não estou esperando que ele faça oposição, mas não é um candidato do governo. É uma alternativa ao governo que aí está”, disse o presidente do PPS. “Não acredito que Eduardo não esteja buscando sua ampliação. Ele está. As coisas estão acontecendo, é um certo fenômeno que está aí. Não sei se é o cansaço com o governo, mas vários empresários, por exemplo, começam a pensar sobre Eduardo.”

Freire lembrou que Campos é um dos possíveis candidatos à Presidência da República em 2014 que foram convidados e aceitaram participar de uma conferência política organizada pelo PPS, programada para o mês de abril, em Brasília. Além do governador pernambucano, devem participar do encontro o senador Aécio Neves (PSDB-MG), a ex-ministra Marina Silva (que tenta formar seu novo partido, a Rede Sustentabilidade) e o ex-deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), além de outras importantes lideranças como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

“É difícil dizer agora o que vai acontecer em 2014. A gente não sabe nem se Dilma vai ser candidata. O que Lula fala hoje não se escreve amanhã. Mas temos várias alternativas e vamos fazer um congresso nacional no final do ano”, explicou Freire. “A abertura do debate é feita por uma conferência política, que vamos realizar em abril, para a qual foram convidados representantes do que chamamos de esquerda democrática. O que acontece é que alguns dos que chamamos, talvez pela antecipação eleitoral, sejam colocados como pré-candidatos.”

Na entrevista, o parlamentar criticou o que chamou de “tradição sebastianista” do Brasil. “Nós precisamos de um salvador da pátria. O Lula foi presidente e até hoje não sabemos o que ele realmente pensa. Temos que buscar saber o que os candidatos pensam sobre o Brasil”, afirmou.

Freire também rechaçou a tese dos adversários de que o PPS teria se tornado mera “linha auxiliar” do PSDB e lembrou que o partido apoiou Lula em eleições anteriores a 2006. “O partido não é linha auxiliar nem está automaticamente aliado a quem quer que seja. Há uma tentativa de dizer que temos uma tradição de estar com o PSDB. Mas, desde 1989, eu votei mais em Lula do que no PSDB”, completou.

O presidente do PPS também citou Aécio e Marina como possíveis alternativas ao partido nas próximas eleições. “Eu conheci Aécio muito jovem, na juventude do MDB. Não está excluído o apoio ao Aécio, mas você tem alternativas que se aproximam do pensamento do PPS. E tem a própria Marina.”


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro