Relatório de CPI do crime organizado pede indiciamento de três ministros do STF e do procurador-geral da República

Mário Flávio - 14.04.2026 às 06:42h

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, apresentado no Senado, pede o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade. O documento será apreciado pela comissão nesta terça-feira e já provoca forte repercussão em Brasília.

Elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o parecer aponta que os quatro teriam adotado condutas consideradas incompatíveis com o exercício das funções públicas, como suspeição em julgamentos, possível impedimento, violação de decoro e omissão funcional.

No caso dos ministros do STF, o relatório destaca situações específicas. Em relação a Dias Toffoli, são citados julgamentos em contexto de possível conflito de interesses. Já Alexandre de Moraes é mencionado por circunstâncias que, segundo o relator, poderiam configurar impedimento em determinadas decisões. No caso de Gilmar Mendes, o documento aponta decisões que teriam impactado ou anulado medidas investigativas relevantes para a CPI.

Quanto ao procurador-geral Paulo Gonet, o parecer sustenta que houve omissão diante de indícios considerados relevantes envolvendo autoridades, o que também fundamentaria o pedido de indiciamento.

Com mais de 200 páginas, o relatório consolida cerca de 120 dias de trabalho da comissão, que realizou 18 reuniões e analisou dezenas de documentos e requerimentos. Entre os principais eixos da investigação está o chamado “caso Master”, apontado como um dos episódios centrais apurados pela CPI. Segundo o texto, há indícios de conexões entre o sistema financeiro e estruturas de lavagem de dinheiro associadas ao crime organizado, envolvendo movimentações bilionárias e mecanismos sofisticados de ocultação de recursos.

O relatório também registra dificuldades enfrentadas pela comissão ao longo dos trabalhos, como decisões judiciais que suspenderam medidas, restringiram o acesso a informações e alteraram o andamento de investigações conduzidas pelo colegiado.

A inclusão de ministros do STF e do chefe do Ministério Público Federal no pedido de indiciamento é considerada um fato incomum e deve intensificar o debate sobre os limites de atuação entre os Poderes. O documento será encaminhado aos órgãos competentes após a votação, cabendo a eles a análise sobre eventuais desdobramentos jurídicos e institucionais.