27 de fevereiro de 2018 às 08h54min - Por Mário Flávio

Do Congresso em Foco

Após firmar uma parceria de ação política com o PPS, na última terça-feira (20), o movimento Agora!, que se autodefine como apartidário, plural e sem fins lucrativos, assina nesta terça (27) uma carta de compromisso com a Rede Sustentabilidade, com a presença dos porta-vozes do partido, Marina Silva e José Gustavo, e do coordenador nacional do movimento, Leandro Machado. Pelo documento, a Rede assume o compromisso de garantir a participação do movimento Agora!, ao qual está ligado o apresentador de TV Luciano Huck, na estratégia eleitoral da legenda, além de ceder espaço para a candidatura de membros da iniciativa.

Um dos cofundadores do movimento, criado em 2016 e que hoje conta com 90 integrantes em 15 estados brasileiros, Humberto Laudares afirmou ao Congresso em Foco que um dos principais objetivos do Agora! é contribuir para a ação política e o processo democrático de forma independente. A solução encontrada para isso, segundo ele, foram parcerias com partidos políticos convergentes com os ideais do movimento, sem “amarras ideológicas”, e que, ao mesmo tempo, não estejam manchados em escândalos de corrupção.

“O que a gente está fazendo não é uma coisa pronta, é uma inovação. Por que é importante a gente participar de instâncias partidárias? Para trazer ideias, sugerir, ter uma participação efetiva. Não só de hospedeiro, mas também contribuir para o próprio processo democrático, para o aprimoramento dos partidos políticos, que a gente julga uma pauta importante para o Brasil”, destacou.

Apesar do compromisso assumido com a Rede e o PPS, Humberto esclareceu que a carta não impede que membros do Agora! se filiem ou saiam candidatos por outros partidos. “No caso da Rede, já temos pessoas filiadas. Por exemplo, o Márlon Reis [ex-juiz e um dos idealizadores da Lei da Ficha Limpa], que vai sair candidato ao governo do Tocantins pela Rede, é do Agora!. Há pessoas no Distrito Federal também, como o João Francisco Maria e o Leandro Grass, que já são da Rede. Mas há pessoas aventando a possibilidade de se candidatar que talvez saiam pelo PPS, ou por outros partidos que não esses dois”, apontou.

Nessa segunda-feira (26), a candidatura de Marina sofreu um abalo já esperado. Dois dos principais opositores do governo Michel Temer na Câmara, os deputados Alessandro Molon (RJ) e Aliel Machado (PR) confirmaram, por meio de cartas divulgadas nas redes sociais, a troca da Rede pelo PSB. A mudança tem implicação direta para Marina, pois diminui seu espaço de divulgação ao excluí-la de debates na TV, nos quais a participação só é garantida a candidatos cujos partidos têm ao menos cinco representantes no Congresso. Com a saída de Molon e Aliel, a bancada da Rede no Parlamento se resume a Miro Teixeira (RJ), João Derly (RS), líder do partido, e o senador Randolfe Rodrigues (AP).

Humberto Laudares explicou que a escolha de uma parceria com a Rede e o PPS, que vai na contramão da polarização eleitoral, dominada por grandes siglas como PT, PMDB e PSDB, reflete a “falência dos partidos políticos”, que enfrentam um grande descrédito por parte da população.

“Não temos exemplo de nenhum partido grande que viesse e falasse ‘nós erramos, vamos corrigir tudo isso, renovar’. Isso não aconteceu no Brasil. Então, restou ao Agora! partidos médios, digamos, ou um pouco menores. Os grandes partidos estão em uma luta incessante para que os caras eleitos sejam reeleitos, seja por problema de polícia ou porque não têm outra opção da vida. O que a gente procura é um espaço que nos abrigue, em que as nossas ideias e o nosso tipo de ação política seriam mais aproveitadas, valorizadas, onde teriam mais sinergia”, avaliou.

Ele comparou ainda as bandeiras defendidas pelo Agora! com a atuação de um jogador centroavante nos campos de futebol. Ou seja, aquele que se posiciona no centro da linha de ataque, ao mesmo tempo em que busca oportunidades de gol para a sua equipe.

“Se você for ver hoje, a polarização não é nem mais entre PT ou PSDB. É entre extremismos até maiores do que esses dois. O cenário político eleitoral mudou bastante. Se a gente fizer uma eleição hoje, provavelmente no segundo turno não tem nem PT, nem PSDB. Essa é uma realidade clara. O fato é: a gente gostaria de ter partidos que são convergentes com as nossas bandeiras, que seria uma coisa que não é muito ‘esquerda radical’, e não é ‘direita radical’ também. É mais um centro expandido. Gosto de falar que é mais um centroavante”, considerou.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro