10 de abril de 2017 às 22h55min - Por Mário Flávio

Raquel

Do G1 Caruaru e Região

A prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB) completa nesta segunda-feira (10) cem dias no comando da Prefeitura. Raquel atua para atender a demanda dos professores da Rede Municipal, que cobram a atualização do Piso Salarial e o debate sobre o Plano de Cargos e Carreiras (PCC). Ela diz que trabalha diariamente para cumprir todas as promessas de campanha e atua de forma intensa no Facebook.

O G1 publica uma entrevista com a gestora. Sobre problemas causados pela violência, Raquel defende o programa Juntos pela Segurança e o plantão de homicídios dobrado. Quando perguntada sobre os ambulantes no centro da cidade, a prefeita promete encontrar uma solução boa para todos. Confira abaixo.

G1 – Prefeita, a senhora tem algo a dizer aos professores da Rede Municipal fora a reunião que vai ser realizada dia 19 de abril com os sindicatos?

Raquel – A reunião já é um tema importante porque tem relação com o nosso compromisso com o servidor, o trabalhador da Prefeitura de Caruaru de que nós teremos um diálogo baseado na transparência. A reunião é a primeira da comissão permanente de negociação, a gente vai estar lá junto com os servidores, vai estar todo o núcleo de gestão do governo, sentado na mesa periodicamente para conversar com os representantes dos trabalhadores, essa periodicidade é de dois meses, vai ter reunião extraordinária sempre que for necessário. A gente recebeu a Prefeitura de Caruaru precisando organizar a casa em vários aspectos, a gente precisou garantir serviços públicos essenciais inclusive na educação, regularizar o contrato de merenda escolar, o contrato de transporte escolar, fazer reformas urgentes, alugar prédios novos, não só para expandir a rede, mas também para garantir a continuidade de alunos para quem estava em prédios inadequados. A gente quase que entrega a escola de Xicuru e por sorte se constatou com uma análise aprofundada que o prédio tinha que fazer uma reforma estrutural e a gente ao mesmo tempo aluga um prédio novo e garante que os meninos voltem para sala de aula, então o investimento foi para garantir o início das aulas no início do período letivo. Abrimos 2.500 vagas novas, entre elas 600 vagas para crianças de 4 a 5 anos, tudo isso sem a contratação de novo professor, a gente remanejou o horário dos professores. Sobre o compromisso com os servidores, quando lancei a mesa de negociação permanente ainda na semana passada junto com os sindicatos e associações dos servidores de Caruaru, falávamos também de que já no mês de abril vamos pagar um terço das férias de mais de 1.500 servidores que gozaram as férias e que não receberam. Nós precisávamos fechar o trimestre para poder fazer uma avaliação de como estava o comprometimento da folha de pessoal com a receita corrente líquida. A gente fez o levantamento de que nós temos o comprometimento de 52% da receita corrente líquida com a folha de pagamento, isso já nos leva ao alerta grande, porque se a gente ultrapassa o limite dos 54%, nós deixamos de receber dinheiro de Emenda Parlamentar, de convênio, e dissemos isso aos professores, que a gente precisa primeiro fazer a conta para poder fazer o compromisso e honrar com a conta que foi prestada. Terminado o primeiro trimestre, a gente vai fazer a reunião no dia 19 com a mesa de negociação e ao lado disso fazendo as contas que são necessárias para dizer a extensão, vamos aplicar o piso retroativo e de que modo a gente vai fazer isso vai ser colocado para os servidores de maneira transparente, como é exigido por eles.

G1 – Com relação as vagas de creche, a senhora prometeu oito mil na campanha. Em São Paulo, o seu colega de partido, João Dória (PSDB), prometeu criar 60 mil e já entregou boa parte nesses três meses. Não tem como seguir o exemplo de Dória aqui em Caruaru?
Raquel – Eu tenho tido um contato permanente com o secretário de João Dória, que é um cara que faz um trabalho no mesmo grupo que eu faço há mais de dois anos. Eles lançaram o projeto para 60 mil vagas, eu não sei especificamente quantas eles já contrataram. São Paulo é uma cidade muito maior que a nossa, as 60 mil vagas de lá são as oito mil vagas daqui proporcionalmente, é 50% da população que precisa ser atendida na idade de creche. Amanhã vai ter uma reunião de secretários desse grupo que a gente faz parte para debater o tema de expansão da educação infantil, mas o que eu tenho para dizer em relação aos primeiros dias de governo, das duas mil vagas que a gente criou, 600 são para crianças de 4 e 5 anos. Temos seis creches que estão em construção no município, algumas quase prontas para serem entregues, e serão entregues junto com os residenciais do Alto do Moura. Outras como a do Salgado, que já estão adiantadas, mas não estão prontas para ser entregues. Identificamos imóveis públicos e Mendonça Filho (ministro) firmou o compromisso de que o Ministério da Educação vai se comprometer com tudo que for possível.

G1 – A senhora tem como meta acabar com os anexos na educação? Existe algum prazo para isso?
Raquel – Acabar com os anexos é uma meta da nossa gestão, isso está no meu Plano de Governo que foi construído com a população. A gente já eliminou vários anexos quando ampliamos o Augusto Tabosa através do aluguel do antigo Colégio Dimensão, a gente alugou o prédio do Antenor Simões na Rua Bahia, quando a gente alugou o prédio da Fafica para tirar três anexos que funcionavam na Escola Nossa Senhora de Fátima, mais outros dois anexos que funcionavam por trás para poder atender as crianças em um espaço adequado. Acabamos de alugar também o prédio que funcionava o Shopping Leste no bairro do Salgado, que vai permitir fechar vários anexos e permitir que os alunos sejam atendidos em espaços com qualidade, esse é um compromisso nosso, e eu não posso estabelecer um prazo porque isso demanda o aluguel de um prédio novo, uma estrutura nova que ainda não está totalmente mapeada. Mas tenho como meta acabar com todos os anexos.

G1 – O que a senhora diz sobre o centro da cidade, já que após 16h existe uma invasão de ambulantes, se ficarem é um problema. E quando decidir tirar vai ser problema também?
Raquel – Sobre a requalificação do centro da cidade e a questão dos ambulantes, eu sempre ando por ali e converso com eles, a gente vai encontrar uma alternativa, e nós estamos estudando ela, já tivemos várias discussões internas com o secretariado, já conversamos também com os representantes de quem faz o comércio de Caruaru, que a gente vai fazer dialogando e encontrando uma saída que seja adequada para o centro da cidade e para quem está vivendo desse comércio ambulante. Têm lugares que estão abarrotados e todo mundo sabe que atrapalha o comércio, os ambulantes também sabem disso, a gente vai de maneira dialogada conversar e readequar o espaço para que essas pessoas possam trabalhar ou garantir alternativas para elas cuidarem de suas vidas e de sua renda.

G1 – Prefeita, foi apresentado pela AETPC na gestão anterior um projeto de duas faixas exclusivas para ônibus que cortava a cidade de leste a oeste, norte a sul. É um projeto bom para o transporte público. Vocês pensam em criar corredores exclusivos de ônibus ou algo parecido?
Raquel – Nós estamos começando a fazer as primeiras audiências públicas para ouvir as pessoas de Caruaru sobre o Plano Diretor. Todo o transporte de Caruaru converge para o centro da cidade, então teria que ser assim, e é compromisso nosso garantir a descentralização do transporte público. A gente vai continuar com essas audiências para que a gente faça um plano diretor na cidade ouvindo a população, trazendo as necessidades que a população tem, e apoiado em uma base técnica que precise para fazer as obras necessárias, que não são só obras, são intervenções também. Esse Plano Diretor vira um projeto de lei que a gente manda para Câmara, e o nosso compromisso é mandar ainda neste ano.

G1 – A senhora vai manter a política da gestão anterior de asfaltar as estradas que dão acesso a zona rural?
Raquel – Nós estamos trabalhando muito para garantir a mobilidade de quem mora na zona rural, já fizemos mais de 100 km de estradas rurais, lugares onde as máquinas não passavam há mais de 20 anos, a gente está chegando através da Secretaria de Desenvolvimento Rural para poder garantir a essas pessoas o direito de ir e vir, ainda que não tenha o asfalto e o calçamento, nós estamos passando a máquina para garantir uma melhor circulação das pessoas. A gente tem convênios garantindo já com recursos para as estradas rurais. Agora a gente tá discutindo alguns deles, porque as vezes o que o gestor pensa não é o melhor para a comunidade. Vamos ouvir antes de fazer qualquer obra.

G1 – Prefeita, como está a discussão com o Governo do Estado com relação a esse clima de insegurança em Caruaru? A senhora não esteve no mesmo palanque que o governador Paulo Câmara. Vocês têm conversado sobre o tema?
Raquel – A gente lançou logo no primeiro mês do nosso governo o seminário Juntos pela Segurança, para fazer o Plano Municipal de Segurança Pública, nós ouvimos mais de 750 pessoas presencialmente que foram para lá discutir em cada uma das áreas o que era importante para garantir a preservação da paz pública em Caruaru. Nós nos comprometemos com Caruaru de que a gente não ia se omitir daquilo que seria responsabilidade da Prefeitura e dentro disso lançamos o Juntos pela Segurança. Vamos lançar na semana que vem o Comitê Municipal de Segurança. Esse comitê vai reunir todos aqueles que tem relação com segurança pública no nosso município. A gente lançou o Ilumina Caruaru, refizemos o contrato de iluminação pública, demos um telefone para a população dizer onde está faltando iluminação para que a gente possa chegar a cada recanto dessa cidade. A gente precisa também garantir a presença da polícia aqui em Caruaru, eu tenho conversado muito para que aqui tenha a presença das polícias, quando houve o triplo homicídio, eu liguei diretamente para o governador e falei que nós precisamos ter aqui o policiamento na zona rural, hoje a gente só conta com uma Patrulha Rural, quando há pouco tempo atrás eram três funcionando. Eu coloquei Emenda Parlamentar para comprar carro para a Patrulha Rural e infelizmente não conseguiu sair. A gente precisa de pelo menos uma Patrulha Rural para o policiamento fixo em cada um dos nossos distritos, a população ter o número dos policiais e a gente garantir a proximidade. Eu falo da zona rural como falo da periferia e do centro de Caruaru também, todo mundo que está aqui tem uma história de um assalto ou de um amigo que foi assaltado. O Batalhão de Polícia Especializada é uma ação importante, chega no segundo semestre, mas a gente precisa de ações como dobrar o plantão de homicídios. Caruaru tem 40% dos índices de homicídios que a Região Metropolitana do Recife, nós só temos uma equipe de homicídio para tratar disso, a gente precisa dobrar e garantir mais policiamento na rua. A gente vai fazer a nossa parte, garantindo iluminação pública, estamos licitando as câmeras de monitoramento, para garantir que a população de Caruaru volte a sentir segurança e viva em paz.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro