27 de fevereiro de 2013 às 08h25min - Por Mário Flávio
Crédito: Paulo Roberto Filho/ BMF

1 Para Louise, seria fácil debater PCC em governo com gestão participativa consolidada

A gestão do prefeito reeleito em Caruaru, Zé Queiroz (PDT) ganhou um problema que virou bola de neve no início de 2013: a aprovação da atualização do Plano de Cargos e Carreiras para os servidores em educação. Isso porque o projeto deveria ser motivo de alegria para os professores da rede municipal, porém a categoria reclamou que não participou da elaboração do projeto, apontou falhas no PCC e esse desentendimento culminou em paradas alternadas, deixando alunos sem aula em alguns dias da semana. Isso no início de um governo que tem como bandeira a Participação Social. Responsável por esse desafio, a secretária Louise Caroline (PT) respondeu ao blog sobre as críticas de que essa bandeira seria uma falácia e disse que o processo de uma gestão participativa requer paciência.

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“Acho que é claro que em uma sociedade, ou em um governo, com uma política participativa mais consolidada, um projeto como o PCC, ou outras leis importantes, passariam por um debate mais amplo. Mas, os governos em Caruaru historicamente tomam muita decisões somente dentro do governo, não é algo exclusivo desta gestão. O que acho importante é que existe uma vontade do prefeito e orientação aos secretários para implantar uma gestão participativa. Das cinco diretrizes do governo, três falam sobre participação, uma exclusiva sobre isso, há vontade política, mas para transformar vontade em realidade, existe um caminho a percorrer. Minha tarefa é esta: conseguir ter tranquilidade para que esse caminho aconteça de maneira dialogada. Agora, tem uma coisa, em qualquer momento da história em que você tenta mudar uma cultura política de uma hora para outra, o projeto para; então a gente vai ter que ter tranquilidade e paciência para construir essa política participativa”, argumentou Louise, que já foi secretária especial da Mulher e assumiu a Participação Social, pasta anunciada no começo da nova gestão.

Na verdade, Louise atribuiu essa dificuldade inicial a um condição política histórica. “Reverter uma cultura política é algo que não se faz por decreto. Mudar uma lógica de funcionamento da política em Caruaru, tanto por parte do governo, tanto por parte da sociedade, não se faz porque foi criada uma secretaria de Participação Social, a criação é um passo inicial e uma decisão política, mas isso vai ser construído tão lentamente quanto foi construída a cultura anterior. Tenho conversado com as secretarias, com alguns movimentos, e a gente tem que ter tranquilidade e cabeça fria pra saber que isso é um processo, para que isso seja realidade e uma prática ainda vamos ter que comer muito feijão com arroz, vamos ter que quebrar muito pau e vamos ter que convergir e divergir. É por isso que no sábado [02  de fevereiro] vamos fazer um seminário com todo o secretariado, recebendo convidados do governo federal para discutir uma gestão com políticas participativas”, projetou.

VIAJANDO

Em paralelo a essa crise com os professores, Louise vai viajar a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul nesta quarta (27), para conhecer o projeto de Participação Social e democracia digital do governo estadual. “Nós vamos a convite do governador Tarso Genro para conhecer o projeto deles no que diz respeito à participação social. Hoje o Rio Grande do Sul é uma referência mundial sobre o tema, o or;amento participativo surgiu em Porto Alegre e isso resultou em várias experiências em gestões participativas. Será um momento de troca de experiências e transferências de know-how. A ideia é que a gente possa trazer para cá o que é a menina dos olhos no estado, que é o gabinete digital, em que a população pode responder ou perguntar diretamente ao governador. A última pergunta feita por Tarso Genro gerou mais de 5 mil”, explicou animada. O objetivo é buscar ideias eficientes e eficazes e disso Louise precisa, pois com impasses como este, ela e a Secretaria de Participação Social ficam bem expostas no teto de vidro da prefeitura.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro