Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) aponta uma mudança no cenário da disputa presidencial em um eventual segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com o levantamento, Lula aparece com 44% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 38%, abrindo uma vantagem de seis pontos percentuais.
O resultado representa uma mudança em relação aos levantamentos anteriores. Em maio, Lula tinha 42% e Flávio Bolsonaro, 41%. Em abril, o senador aparecia numericamente à frente, com 42% contra 40% do presidente. Já em março, ambos registravam 41%, configurando empate numérico.
Segundo a série histórica da Quaest, a pesquisa de junho marca a consolidação de uma liderança de Lula após meses de equilíbrio entre os dois principais nomes testados. Apesar disso, a vantagem atual ainda é menor do que a observada em agosto de 2025, quando o presidente tinha 16 pontos de frente sobre o adversário. A diferença caiu para dez pontos em dezembro, sete em janeiro, cinco em fevereiro e chegou ao empate em março.
Além do cenário envolvendo Flávio Bolsonaro, a Quaest também simulou disputas de segundo turno entre Lula e outros nomes da direita, como Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
Na avaliação do diretor da Quaest, Felipe Nunes, nenhum dos demais candidatos conseguiu apresentar desempenho superior ao de Flávio Bolsonaro diante do presidente. “Os outros nomes da direita não conseguem, no entanto, melhorar seu desempenho contra Lula a ponto de serem mais competitivos que Flávio. Zema tem uma oscilação negativa neste último mês e está a 10 pontos de Lula”, afirmou.
Felipe Nunes também destacou a evolução de Renan Santos nas simulações. “Quem tem melhorado seu desempenho na simulação de segundo turno é Renan Santos, que chegou a 31%, seu melhor desempenho na série histórica. Mas ainda aparece menos competitivo que Flávio”, observou.
A principal movimentação identificada pela pesquisa ocorreu entre os chamados eleitores independentes — aqueles que não se identificam como lulistas, bolsonaristas, de esquerda ou de direita. Nesse grupo, Lula passou de 29% das intenções de voto em maio para 37% em junho, crescimento de oito pontos percentuais. Já Flávio Bolsonaro recuou de 31% para 24%, queda de sete pontos.
“A mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula. Mas também chama atenção a oscilação negativa que Flávio obtém entre a direita não-bolsonarista”, avaliou Felipe Nunes.
Entre os eleitores da direita que não se identificam com o bolsonarismo, Flávio Bolsonaro caiu de 88% para 82% das intenções de voto. No mesmo segmento, Ronaldo Caiado avançou de 69% para 76%, Romeu Zema passou de 74% para 77% e Renan Santos registrou crescimento de 53% para 70% nas simulações contra Lula.

