10 de outubro de 2012 às 09h50min - Por Mário Flávio

Entre os candidatos do PT, Hérlon teve a votação mais expressiva com 1077 votos

O grande imbróglio do PT para discutir quais os rumos do partido nas eleições municipais de Caruaru deste ano surtiu mais efeito para fortalecer a legenda como integrante da base do governo do que para formar um palanque forte que elegesse pelo menos um vereador na cidade. Eduardo Guerra, Hérlon Cavalcanti, Wilon Sobral e Zezé, todos fracassaram nas urnas. O PT não terá representante na próxima legislatura, sem falar que Rogério Meneses saiu de Caruaru para disputar a prefeitura de Imaculada, na Paraíba, e também não obteve êxito, com uma votação inexpressiva.

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Durante boa parte do período pré-campanha, as quatro tendências internas do PT colocaram em pauta a possibilidade ou não de o diretório do partido declarar apoio oficial à candidatura do prefeito Zé Queiroz (PDT) e depois também colocaram em discussão quem seriam os candidatos que tentariam uma vaga na Câmara. O partido ainda cogitou, por meio do presidente Vanúccio Pimentel, indicar a ex-secretária da Mulher, Louise Caroline, para ser a vice na chapa de Queiroz.

Depois de várias reuniões, com o objetivo de criar um palanque forte na campanha, quatro candidatos foram escolhidos e a legenda foi inserida no módulo proporcional Caruaru Mais Forte, pela qual aliás foi o PRTB que conseguiu sair como a maior bancada na próxima legislatura, com três representantes na Casa. Na contagem de votos, Hérlon obteve 1.077 votos, Eduardo Guerra, com registro indeferido, obteve 982 votos, Wilon conseguiu 133 votos e Zezé, 72 votos. Mesmo sem o cálculo do quociente eleitoral, ainda assim eles não conseguiram uma vaga na Casa do Povo.

Para o analista político Arnaldo Dantas, isso representa que a esquerda autêntica de Caruaru saiu menor depois da eleição. “O PCdoB ficou só com Edmilson, que não tem referência ideológica com o partido e o PT saiu menor do que entrou. O partido perdeu, porque historicamente nunca teve uma base social e hoje seus representantes têm muito mais uma base intelectual do que aproximação social. Sem base social, o partido de esquerda autêntico não cresce. O PT tem só alguns nomes, e não um projeto social e coletivo de poder. Aliás, historicamente o PT sempre ficou a reboque dos chamados grupos progressistas de Caruaru, apesar de haver a personalização de projetos por parte de algumas figuras na cidade. Contudo, somado ao fato de não haver base social, os petistas ficam brigando entre si e isso faz com que não haja unidade para interferir nem no grupo político de Queiroz”, argumentou.

PRESTÍGIO NO GOVERNO

No entanto, vale lembrar que algumas figuras do partido seguem prestigiadas no governo. Elba Ravane segue fazendo um bom trabalho na secretaria da mulher e a própria Louise foi uma das coordenadoras de campanha e deve ser convocada para fazer parte da equipe do novo governo. O PT ainda vai ter papel fundamental na implantação do Orçamento Participativo, que já começou a ser implantado em Caruaru.

A secretaria de Saúde, Aparecida Souza, também é filiada ao PT, mas por quase não se envolver em questões partidárias, não é considerada uma petista de carteirista e a cota dela não é do partido. Sem mandato, resta ao partido se reinventar a partir de 2013 para chegar fortalecido no próximo pleito municipal.

Eduardo Guerra foi o segundo mais votado do PT, com 982 votos, mesmo com o registro de candidatura indeferido


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro