16 de junho de 2012 às 10h25min - Por Mário Flávio

Deu no Jornal do Commercio

A entrada do senador Humberto Costa na disputa eleitoral do Recife como pré-candidato do PT, em substituição ao prefeito João da Costa, modificou significativamente o cenário de intenções de voto na capital pernambucana. A nova rodada de pesquisa do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IMPN) – feita em parceria com o Jornal do Commercio – sobre a sucessão deste ano revela a liderança absoluta do petista em todas as simulações. A amostragem, que ouviu 816 eleitores, foi realizada nos dias 11 e 12 deste mês, cerca de uma semana após a decisão da direção nacional do PT de cancelar o resultado da prévia e indicar o nome de Humberto como candidato à PCR. Até o levantamento anterior, divulgado em 18 de março, João da Costa ainda era candidato à reeleição, e aparecia com uma média de 20% das intenções de voto.

A nova pesquisa JC/IPMN apresentou aos entrevistados quatro cenários possíveis para a disputa pela Prefeitura do Recife. Em todos eles, Humberto mantém uma média de 36% das citações, liderando com uma folga de, no mínimo, 18 pontos percentuais sobre o pré-candidato do DEM, deputado federal Mendonça Filho, que aparece sempre em segundo lugar(veja tabela nesta página). Outra novidade é o posicionamento do pré-candidato do PSDB, deputado estadual Daniel Coelho, que mantém a terceira colocação, sempre com um ponto percentual à frente do deputado federal Raul Henry (PMDB).

O primeiro cenário da amostragem inclui praticamente todos os nomes especulados pelos partidos até agora, à exceção dos nomes ventilados no PSB, fato ocorrido somente após a realização do levantamento. A distância entre Humberto e Mendonça é a mais curta. O petista aparece com 35% das intenções de voto, contra 17% do democrata. Nessa simulação – como em todas as demais – Daniel Coelho recebeu 5% das citações e Raul Henry, 4%. Na quinta colocação, com 3%, surge o senador Armando Monteiro Neto (PTB), que não se declara candidato mas tem seu nome especulado. Em sexto ficam o deputado federal Paulo Rubem (PDT) e o ex-deputado Raul Jungmann (PPS), ambos com 2%.

Se for levada em conta a margem de erro da pesquisa, de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, todos os candidatos, a partir da terceira colocação, estão tecnicamente empatados. É relevante, ainda, o índice de 20% de entrevistados que declararam a intenção de votar em branco ou anular o voto, assim como a fatia de 13% que não souberam ou não quiseram responder ao levantamento. Os pré-candidatos Roberto Numeriano (PCB) e Albanise Pires (PSOL) foram listados, mas receberam citações menores que 1%.

No segundo cenário elaborado na pesquisa, com a retirada do nome de Paulo Rubem da lista, Humberto Costa ganha dois pontos, subindo para 37%, enquanto Mendonça Filho perde dois, caindo para 15%. Numa terceira simulação, o petebista Armando Monteiro é substituído pelo seu correligionário Sílvio Costa Filho, que não consegue pontuar. Nesse caso, o pré-candidato petista ganha um ponto em relação ao primeiro cenário (16%), enquanto o democrata mantém os 17%. A última simulação exclui os dois nomes do PTB e o do PDT, mantendo apenas cinco concorrentes. Nesse caso, Humberto continua com os 16% do terceiro cenário, enquanto Mendonça obtém seu melhor índice, ficando com 18% das citações.

O desempenho do senador Humberto Costa não é positivo apenas na pesquisa estimulada, com a apresentação de uma lista de nomes ao eleitor. No levantamento espontâneo – quando o entrevistado é questionado sobre seu preferido sem o auxílio de listas – o petista aparece novamente na liderança, com 30% das menções. Na amostragem feita em março, o senador sequer aparecia entre os citados, que colocavam o ex-prefeito João Paulo na liderança (29%), seguido do prefeito João da Costa (12%). Na nova rodada, é Mendonça Filho quem crava a segunda colocação, com 12%. O atual prefeito ficou em terceiro, com 6%.
De acordo com o cientista político Adriano Oliveira, um dos coordenadores da pesquisa, a liderança de Humberto se explica por uma série de fatores. Primeiro, porque 55% dos eleitores – de acordo com o levantamento – sabem que ele é candidato a prefeito. Depois, pelo fato de João da Costa não contar com a admiração de ampla maioria dos eleitores. Pesam ainda em favor de Humberto, segundo Oliveira, a nova queda de popularidade do prefeito e a vontade manifestada por muitos eleitores de que o PT se mantenha na prefeitura nos próximos quatro anos.

A pesquisa JC/IPMN identificou ainda que, neste momento, apenas 22% dos recifenses têm muito interesse nas eleições, contra 26% que afirmaram não se interessar pelo assunto. 41% disseram estar pouco interessados e 11% se declararam indiferentes à corrida eleitoral.

Metodologia – O Instituto de Pesquisas Maurício de Nassau entrevistou 816 eleitores do Recife, nos dias 11 e 12 deste mês. A amostra foi selecionada a partir de um plano estratificado de conglomerados em dois estágios. No primeiro, foram sorteados os setores censitários e, em seguida, selecionado um número fixo de pessoas segundo cotas amostrais de sexo e idade.

O número de entrevistas foi definido com base em amostragem aleatória simples, nível estimado em 95% de confiança e margem de erro de 3,5 pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral, sob o nº 00029/2012, em 11 de junho de 2012.

Perguntas cujas somas não totalizam 100% são decorrentes de arredondamentos no processo de dados. Categorias com 0% significa que o percentual de perguntas é menor que 0,5% do total das respostas. A resposta “outros” refere-se ao total de respostas com índices muitos baixos.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro