PT aposta em “candidatos influencers” para ampliar bancada no Congresso Nacional

Mário Flávio - 04.05.2026 às 10:05h

O Luiz Inácio Lula da Silva e a direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) avaliam uma nova estratégia para as eleições de 2026: investir em nomes com forte presença nas redes sociais para disputar vagas no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas. A iniciativa prevê a preparação de cerca de 37 pré-candidatos com perfil digital, numa tentativa de ampliar a bancada da legenda e fortalecer sua comunicação política no ambiente online.

A proposta vem sendo impulsionada por setores mais jovens do partido e já conta com parte dos nomes definidos e outros em fase de articulação. Entre os pré-candidatos já citados estão o comunicador Vinicios Betiol, que ajudou a divulgar o projeto, além de influenciadores regionais como Júlio Rodrigues e Thiago Foltran, apontados como representantes dessa nova frente digital em estados como o Paraná.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, os perfis selecionados possuem, em geral, entre 100 mil e 800 mil seguidores nas redes sociais, o que indica a tentativa do partido de transformar alcance digital em capital político nas urnas. A estratégia também busca enfrentar o avanço de adversários que já utilizam intensamente as redes como ferramenta eleitoral.

Internamente, porém, a movimentação não é consenso. Lideranças mais tradicionais do PT demonstram resistência à ideia de priorizar nomes com forte presença digital, avaliando que isso pode reduzir o espaço de quadros históricos com trajetória na militância partidária. Ainda assim, a proposta ganhou respaldo da cúpula da legenda, que defende a integração entre diferentes formas de atuação política.

O secretário de Comunicação do partido tem reforçado que não há ruptura entre os dois modelos. Segundo ele, a estratégia busca justamente somar forças: a militância tradicional, construída nas ruas e nos movimentos sociais, e a militância digital, que atua nas redes e amplia o alcance das mensagens políticas.

Nos bastidores, a avaliação é que o sucesso da iniciativa dependerá da capacidade desses novos nomes de converter engajamento virtual em votos efetivos — um desafio que partidos de diferentes espectros ideológicos têm enfrentado nas últimas eleições.