14 de março de 2014 às 10h46min - Por Mário Flávio

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Os professores da rede municipal de ensino realizaram uma coletiva de imprensa para apresentar dados sobre a educação municipal. Em greve há 19 dias, os docentes fizeram uma trajetória da delicada relação que têm com a gestão municipal e mais uma vez dois assuntos estiveram dominantes na pauta: PCC e falta de estrutura nas escolas da rede municipal de ensino. Segundo os líderes do movimento paredista, a situação das escolas é grave e algumas não têm a mínima condição de proporcionar o espaço adequado para um ensino da qualidade.

O presidente do Conselho Municipal de Educação, Wilson Rufino, reforçou o apoio ao movimento e apresentou uma nota de indignação com críticas a compra de R$ 3,6 milhões em livros, que segundo ele, não atendem as reais necessidades dos alunos. Ele disse que a compra é um erro que já foi cometido, sendo inclusive apontado no relatório da CGU, como indícios de irregularidades.

“Sobre a aquisição de livros com péssima qualidade, isso não é de hoje, já tinha uma denúncia no relatório da CGU de duplicidade, já que o Governo Federal repassa os mesmos livros. Aí para a nossa surpresa o mesmo ocorreu em junho de 2013 e por isso estamos emitindo uma nota de indignação, já que mais de três milhões de reais foram investidos sem o Conselho ser ouvido, mostrando mais uma vez a arbitrariedade da gestão municipal. O valor é exorbitante e poderia estar sendo utilizado de outra maneira pela prefeitura para melhorar a situação da educação”, disse Rufino.

O raios-x da estrutura das escolas foi apresentado e segundo o presidente da ATEC, Fred Santiago, as imagens foram coletadas entre os meses de fevereiro e março desse ano, em visitas a todas as unidades de ensino da zona urbana e a maioria da área rural. “Temos falta de ação do poder público em quase todas as escolas. Quem é professor sabe que é impossível dar aulas nesses anexos, devido ao calor e barulho. Se a situação das escolas é precária, esses anexos são um crime contra as crianças da rede municipal”, pontuou.

De acordo com o movimento, atualmente 300 professores recebem dinheiro do Confundeb e não pisam sequer nas escolas, como explanou o presidente do Sismuc, Eduardo Mendonça. “Temos aqui uma lista com todos os nomes, não foi criada por nós, mas feita pelo Confundeb”, disse Eduardo Mendonça. O sindicalista explicou ainda que a paralisação não é apenas por uma questão de salário e que após o fim da greve, novas ações irão ocorrer para melhorar a situação da educação.

“A categoria não entrou em greve apenas pelos 8%, mas quando essa situação terminar o prefeito vai ter que mostrar um olhar diferenciado sobre a situação das escolas da rede municipal. Temos uma Lei esdrúxula de autoria do vereador Marcelo Gomes que proíbe até os pais de entrarem nas escolas. Isso é vergonhoso”, disse Eduardo Mendonça.

As escolas em tempo integral também foram alvo de críticas dos docentes. “Não existe projeto pedagógico nenhum que justifique ou oriente as crianças. Os meninos e meninas vão na parte da tarde e ficam jogando bola e passando o tempo. São casos de violações aos direitos fundamentais dos estudantes. Uma situação grave”, disse o presidente da ATEC Fred Santiago.

A presidenta do Conselho da Merenda, Rosineide Santos, voltou a apresentar dados que, segundo ela, são conflitantes. Para a professora, a teoria está bem longe do que ocorre na prática dos alunos . “Temos vários cardápios que são diferenciados por idade, com alimentos riquíssimos, mas tudo na teoria. O que vemos na realidade é uma situação bem diferente com alimentos que não são recomendados pelos nutricionistas”, disse. O número de profissionais nutricionistas também foi questionado, já que segundo o Conselho da Merenda, apenas três profissionais atuam para atender os mais de 30 mil alunos da rede, quando mais de 100 eram necessários.

Após a apresentação do dossiê os professores da rede informaram que vão entrar com uma denúncia junto ao Ministério Público para que alguma providência seja tomada.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro