Presidente do PT do Recife e aliado de Raquel Lyra deve se licenciar para evitar expulsão; vice cobra punição

Mário Flávio - 10.07.2026 às 07:21h

O presidente do PT do Recife e vereador Osmar Ricardo deve se licenciar do partido até o fim deste mês em meio ao impasse provocado por sua decisão de apoiar a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). A medida busca reduzir o desgaste interno, já que o PT integra a Frente Popular, liderada pelo pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB).

A posição de Osmar já vinha provocando forte reação entre dirigentes e militantes petistas. Nos bastidores, integrantes da legenda defendem que ele seja punido por contrariar a orientação partidária, que mantém alinhamento com o projeto político de João Campos no Estado.

A sugestão para que o vereador se afaste temporariamente da sigla teria partido de integrantes da própria direção do PT. No entanto, o vice-presidente do PT Recife, Cirilo Mota, afirma que a licença não impede eventual punição disciplinar.

Segundo Cirilo, o apoio de Osmar à governadora representa um descumprimento da decisão partidária. “O campo de aliança do presidente Lula está com a Frente Popular e Osmar é réu confesso ao deixar de cumprir a decisão do PT. Se quer apoiar Raquel Lyra, o mais coerente é sair do partido”, declarou.

O distanciamento entre Osmar Ricardo e João Campos ganhou força após o vereador assinar o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a nomeação de um procurador da Prefeitura do Recife em uma vaga destinada a pessoa com deficiência.

Na época, Osmar ocupava uma cadeira na Câmara Municipal como suplente da federação formada por PT, PCdoB e PV. Posteriormente, deixou o Legislativo após o retorno do vereador Marco Aurélio Filho (PV), que havia sido exonerado da função de secretário municipal. O petista voltou à Câmara depois que a governadora Raquel Lyra nomeou a vereadora Flávia de Nadegi (PV) para a presidência do Iassepe.

Antes mesmo de reassumir o mandato, Osmar declarou publicamente que seria grato à governadora pela nomeação e afirmou que faria uma oposição firme à gestão de João Campos na Câmara do Recife, aprofundando o rompimento político com o grupo socialista.