17 de janeiro de 2014 às 08h12min - Por Mário Flávio

O Pontal Sequeiro surgiu com o objetivo de criar novas oportunidades no semiárido, em especial, para agricultores tradicionais que tiveram de ser reassentados com a criação de um novo perímetro de irrigação na cidade pernambucana de Petrolina. O Pontal Sequeiro se tornou o endereço de 139 famílias, atendidas por um programa social, com acesso a assistência técnica e extensão rural. A prática se tornou um caso exemplar da Secretaria Nacional de Irrigação, do Ministério da Integração Nacional.

Os números comprovam o sucesso do projeto. Somente em 2013, a produção local foi de mil toneladas de forragem, quantidade suficiente para atender um rebanho de sete mil cabeças, e 250 toneladas de excedente. A renda com a engorda e comercialização de caprinos e ovinos gerou R$ 550 mil no ano passado.

O projeto dividiu oito mil hectares (ha) em 142 lotes com aplicação da técnica de sequeiro. Criada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a área possui dois lotes que são usados para pesquisas e outros 73 hectares que são destinados à produção coletiva de forragem. A partir da regularização fundiária, os agricultores receberam cerca de 50ha, uma tomada de água e um ponto de energia elétrica.

Outra atividade em destaque no Pontal Sequeiro é a criação de caprinos e ovinos, tradicional na região. Os agricultores preservaram as culturas tradicionais de plantio da mandioca, feijão, sorgo, além da produção de palma forrageira, uma variante resistente a pragas. A mudança ocorreu a partir da assistência técnica. A capacitação permitiu que os produtores tornassem a produção do rebanho mais eficiente e conhecessem as vantagens de se comercializar o animal precocemente. Eles também passaram a submeter a produção à vigilância sanitária, ação que agregou valor ao produto.

Os agricultores foram apresentados ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que determina aos municípios a preferência da compra de alimentos do produtor familiar. Na avaliação do técnico da Codevasf, Cláudio Baltazar, o PAA é um exercício para a comercialização. “O degrau seguinte foi a oferta da produção para os estabelecimentos da região”, conta.

Outra produção que ganhou destaque foi a de lacticínios. O leite e o queijo de cabra eram produzidos de forma artesanal e destinados ao consumo comunitário. Agora, os agricultores montaram um lacticínio, cuidaram da qualidade e também submeteram a produção à vigilância sanitária. No ano passado, 33 famílias lucraram R$ 54 mil.


Comentários


...

Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro