PF aponta que enteado de Jaques Wagner cobrou sócio do Master para pagamento de imóvel de luxo ligado ao senador

Mário Flávio - 18.06.2026 às 17:03h

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré Martins, enteado do senador Jaques Wagner, teria atuado na cobrança de valores ao empresário Augusto Lima para o pagamento de um imóvel de luxo atribuído ao parlamentar. As informações constam em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da 9ª fase da Operação Compliance Zero.

Nesta quinta-feira (18), a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Entre os alvos estão Jaques Wagner, Eduardo Sodré Martins e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master.

De acordo com as investigações, Jaques Wagner é suspeito de ter recebido um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos considerados indevidos por meio de uma empresa ligada a familiares. A PF apura se a estrutura teria sido utilizada para ocultar vantagens supostamente recebidas no contexto das irregularidades investigadas na Operação Compliance Zero, que apura um esquema envolvendo fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça relacionadas ao Banco Master.

Segundo o relatório da PF, Eduardo Sodré Martins teria exercido papel ativo na cobrança de recursos junto ao empresário Augusto Lima. Os investigadores afirmam que mensagens encontradas no celular do empresário fazem referência a boletos, notas fiscais, documentos para assinatura e providências necessárias para a formalização de pagamentos.

Em despacho, o ministro André Mendonça destacou que uma transferência de R$ 3,5 milhões para a empresa BN Financeira Ltda., pertencente à esposa de Eduardo Sodré Martins, teria sido precedida por conversas nas quais o secretário cobrava a resolução de pendências financeiras.

O documento também cita uma mensagem enviada por Eduardo em 4 de setembro de 2025: “Amanhã vence os boletos e são altos”. Em resposta, Augusto Lima teria informado que a situação financeira estava “crítica” e atribuído as dificuldades ao fracasso da operação envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

Augusto Lima foi responsável por implantar, durante o governo de Jaques Wagner na Bahia, o sistema de crédito consignado para servidores públicos conhecido como Credcesta. Posteriormente, o modelo passou a integrar as operações do Banco Master e se tornou um dos principais ativos financeiros da instituição.

Procurados pela imprensa, Jaques Wagner, Eduardo Sodré Martins e o Governo da Bahia não se manifestaram até o momento. A defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências realizadas pela Polícia Federal eram desnecessárias, alegando que o empresário está há seis meses à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sobre os fatos investigados.

A investigação segue sob análise do STF e os envolvidos negam irregularidades ou ainda não apresentaram defesa pública sobre as acusações.