Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ingressaram no Tribunal Superior Eleitoral com uma ação para tentar impedir a exibição do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), até o fim das eleições de 2026.
A representação foi protocolada nesta terça-feira (19) pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, em conjunto com o Grupo Prerrogativas, coletivo formado por advogados e juristas alinhados ao campo progressista. O pedido sustenta que o longa, com estreia prevista para setembro — a um mês do primeiro turno — pode configurar propaganda eleitoral antecipada e dissimulada.
Na ação, os autores solicitam a “proibição cautelar da exibição, distribuição, publicidade e impulsionamento do filme durante o período eleitoral”. Segundo a petição, Dark Horse seria uma “superprodução financiada por valores milionários de origem controvertida, articulada por familiares e aliados políticos”.
A ofensiva judicial ocorre em meio à repercussão de reportagens que apontaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, teria buscado recursos junto ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o projeto cinematográfico. Vorcaro é investigado no caso envolvendo o Banco Master.
Na semana passada, Flávio Bolsonaro afirmou que avalia antecipar o lançamento do filme, originalmente previsto para setembro, em meio ao aumento da repercussão em torno da produção e de seu conteúdo.
Reação da oposição
Integrantes do PL e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro reagiram à iniciativa, classificando a ação como uma tentativa de censura e de cerceamento da liberdade de expressão. Para os bolsonaristas, o filme tem caráter documental e não deve ser tratado como peça de propaganda eleitoral.
O embate no TSE deve ampliar a disputa política entre petistas e bolsonaristas, que já travam uma batalha jurídica e narrativa em torno da sucessão presidencial de 2026. Além da ação contra o filme, Flávio Bolsonaro também acionou o TSE para contestar uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que apontou queda em sua intenção de voto após a divulgação dos áudios envolvendo o caso.

