11 de junho de 2013 às 14h25min - Por Mário Flávio

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Presidente da Associação das Empresas de Transporte de Passageiros em Caruaru, o ex-vereador Adolfo José, não está alheio às últimas discussões sobre o aumento das passagens de ônibus no município. Ele deu voto favorável ao reajuste de R$ 1,80 para R$ 2,10, mas não ficou muito satisfeito. Na verdade, ele considera a proposta aprovada pelo Conselho Municipal de Transporte (Comut), ainda em análise da prefeitura, como um paliativo e já prevê novas discussões no início de 2014.

“Se a gente já vai ter um dissídio coletivo, que acredito que será entre 8% e 10%, vai pesar diretamente na folha, vai pesar na planilha que foi aprovada. Ela hoje já é defasada, porque não atendeu a todas as necessidades colocadas pela associação, imagine com mais outro acréscimo de despesas, que dever vir em julho… Naturalmente acreditamos que em janeiro, no máximo, vamos discutir isso, e até lá já haverá dissídios de outras categorias, é a vida que não para”, explicou.

Além de apontar os dissídios coletivos dos trabalhadores do setor como justificativa para novos aumentos nas passagens, Adolfo também elencou custos de importação de produtos para defender um reajuste diferenciado. Na verdade, inicialmente os empresários defendiam uma tarifa de R$ 2,45. “A Destra possui uma planilha própria. Já nós [empresários do setor] usamos a planilha nacional Geypot. Por que nacional? Porque compramos óleo de Recife, e tem frete de lá pra cá. A gente compra pneus em Salvador, também há o frete também… Tudo nós importamos. Então há uma diferença na hora de elaborar uma planilha colocando uma projeção de custos de produtos só mo município, quando compramos fora. Mas aqui a gente só produz a mão-de-obra. Nossos insumos são importados e diferenciados, por isso que a nossa tabela ficou diferente do que foi apresentado pela Destra [os R$ 2,45 defendidos inicialmente]. Essa tabela da Destra faz os custos com produtos de Caruaru, mas a cidade nem tem fábrica de pneus, nem produz óleo diesel, nem peças, lamentavelmente. Contudo, chegamos a um consenso, que é na verdade um paliativo”, completou Adolfo.

Em contrapartida, os empresários encontram a resistência da União dos Estudantes Secundaristas de Caruaru (UESC) e do Sindicato dos Empregados do Comércio de Caruaru (SINDECC). Os estudantes argumentam que o serviço de transporte oferecido na cidade não tem a devida qualidade, para justificar um aumento. O presidente da UESC, Gleison Rodrigues, tem voto no Comut, mas não pôde participar porque estava participando de um Congresso em Brasília. Já o presidente do SINDECC, Milton Manoel, abriu mão de sua vaga no Comut, alegando que o Conselho não dava espaço para questionar a qualidade do serviço de transporte na cidade. Ainda assim, ele defende que não há como reajustar a tarifa, sem antes atualizar a Lei de Transportes Coletivos em Caruaru e abrir uma nova licitação para concessão de linhas de ônibus.

Em paralelo, o prefeito Zé Queiroz disse recentemente ao blog que a tarefa de decidir o reajuste é do Comut, enquanto representante da população. Ele disse ainda que o reajuste obedeceu uma análise adequada e nada teria a ver com o projeto dos transportes, que ainda tramita na Câmara Municipal.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro