4 de julho de 2012 às 09h34min - Por Mário Flávio

Passadas as convenções partidárias consideradas como unidades orgânicas e fundamentais dos partidos políticos, se iniciam as campanhas propriamente ditas. A população viverá agora o que denominamos de período eleitoral em que os partidos e os seus candidatos se apresentam na dura luta em busca dos votos. Nos dias atuais as campanhas são cada vez mais profissionalizadas. Não há mais espaço para amadorismo, intuição e palpites gratuitos.

A intuição cedeu lugar para o racionalismo, os palpites são superados pelas pesquisas e as tradicionais palavras de ordem ainda que significativas, viraram slogans fundamentados em conceitos e bem elaboradas estratégias. Se comparássemos a uma campanha de vendas de produtos ou serviços teríamos agora os candidatos na condição de produtos, o espaço público na condição de mercado e os eleitores, consumidores dos produtos, via suas propostas programáticas.

Como se observa o marketing político é uma importante ferramenta na condução de uma campanha política. Mas não é tudo. Não é decisivo. Quando bem feito representa um grande peso no resultado final, mas isoladamente não representa muito, porque todos nós sabemos que por melhor que seja a campanha publicitária, a mercadoria ruim não tem saída.

Na verdade, uma campanha política tenta eleger um (a) candidato (a) e este (a) é um ser humano, tem, portanto, um nome, uma história, uma alma, virtudes e defeitos. Essas características são visíveis pelo eleitorado. E quando se trata de uma campanha para prefeito, mais próximo do povo o candidato se encontra e mais fácil é o seu julgamento através do voto.

Campanha nas ruas é a hora do povo ver, ouvir, comparar, analisar e decidir. Na verdade esse é o momento de respondermos a seguinte pergunta: votar em quem para Prefeito? Tenho a impressão que para essa resposta não há uma receita pronta e acabada. Mas acredito na existência de critérios que se bem usados contribuirão para apontar o melhor caminho até às urnas.

O primeiro critério é sem dúvidas a capacidade de gerenciamento do município. Isso requer experiência, liderança política, conhecimento pleno das questões da cidade, preparo para enfrentar possíveis crises e conflitos de toda ordem, fundamentalmente no campo econômico tendo em vista ser esse o termômetro balizador das administrações em qualquer esfera de poder.

Outro critério fundamental é a honestidade no exercício do cargo público. O candidato precisa ter uma história político-administrativa sem resquícios de corrupção e mau uso de verbas públicas. A sociedade brasileira já não suporta os assaltos aos cofres públicos sem que ninguém vá para cadeia e o erário não seja devolvido à população. Espera-se de um administrador municipal uma gestão planejada, pensada do ponto de vista dos interesses de todos os munícipes e, em especial, os mais necessitados. Portanto, deve ser alguém com a coragem de dizer NÃO, quando estiver em jogo interesses dos amigos, dos familiares e em risco o futuro da cidade.

Os eleitores não podem entregar os destinos da sua cidade a quem é neófito do ponto de vista administrativo. Aquele ou aquela que coloca o seu nome para gerente da cidade precisa provar com a sua experiência que é capaz de reconhecer a complexidade do município e a diversidade de que ele é constituído. È fácil perceber um (a) candidato (a) com relação a esse aspecto. Basta ver a quem ele (a) está ligado (a). Por trás normalmente está alguém que dita o que o outro deve dizer ou afirma que vai fazer. Um momento especial durante a campanha para que se constate esse aspecto são os debates entre os candidatos no rádio, na televisão e em outros locais públicos.

Respeito o pensamento de todos que colocam os seus nomes para a disputa em busca do cargo de chefe do Poder Executivo municipal. A democracia permite e cada um tem direito ao seu sonho. Mas na condição de eleitor esclarecido não posso deixar de lembrar que no caso de Caruaru, a minha cidade, já não comporta um (a) administrador (a) que desorganize o trânsito, construa pinguela a onde deveria ter uma moderna ponte, renuncie a mandato popular quebrando compromissos com o povo, permita que no seu lugar assumam aventureiros cujos gestos levem a cidade às páginas policiais; ou mesmo, apenas usem os meios de comunicação como instrumento de ampliação de mentiras que não mais se sustentam.

A eleição de um mau prefeito é um passo em falso para qualquer município. E é bom que se afirme que um mau administrador, um (a) administrador (a) inexperiente ou incompetente, atrapalhará o município por décadas tendo em vista que os efeitos negativos perduram na vida da cidade.

*Roberto Peixoto é professor


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro