31 de dezembro de 2011 às 18h14min - Por Mário Flávio

Festa do Comércio, uma das mais importantes que a cidade já fez. Ela existiu durante várias décadas, tendo sido, em cada momento, bastante significativa para quem a vivenciou. Com este nome, existiu dos anos 1930 aos anos 1990. Antes disto, desde o final do século 18, foi “Festa da Conceição” ou “Festa de Zé Rodrigues”. Infelizmente, não resistiu ao tempo, às mudanças. Mas, enquanto existiu, foi bastante significativa para a cidade.

Se levarmos em conta os relatos históricos sobre a festa, os textos de jornais, os livros de memórias, perceberemos que o período em que ela recebeu mais notoriedade localiza-se nos anos 50, principalmente entre 1956 e 1958. Nos relatos do VANGUARDA desta época, por exemplo, usava-se bastante a expressão ‘‘brilhantismo”. Já a partir da década seguinte, encontra-se, claramente, a diminuição do interesse na organização da celebração.

A festa, nos anos 50, tinha um formato que se repetia anualmente, mas que causava grande frisson. Era esperada com grande ansiedade por toda a população que, além de fazer ou comprar a “roupa da festa”, costumava melhorar a aparência das residências: telhados eram reorganizados, usavam-se vassouras de longos cabos para sua limpeza, as paredes eram pintadas. árvores de Natal, pisca-piscas, lapinhas. O espírito natalino era visualizado pelo uso das cores e luzes.

Seu espaço principal era a parte frontal à Capela da Conceição: no palco montado se apresentavam pastoris, cantores e artistas dos mais variados. A Missa do Galo e de Ano Novo, bem como a Procissão do Santíssimo, ficava sob comando do bispo Diocesano (D. Paulo e, depois, D. Augusto). Barracas de clubes sociais, bebidas e comidas, dancings, carrosséis. Moradores da rua da festa e seus convidados colocavam cadeiras nas calçadas para o passeio de rapazes e moças (o “quem-me-quer”).

A festa era o grande evento do ano para a população inteira, de bairros ricos e pobres e da zona rural. Atraía gente também de outras cidades. A festa era do povo, rico ou pobre, que ocupava cada centímetro da rua principal e suas adjacências. Anônimos, estes indivíduos viviam seus “reinos encantados”, misturados na multidão: namoros arranjados e desfeitos, brigas e pazes feitas, passeios de mãos dadas. A festa era a coroação de um momento de magia para todos.
 
E uma das partes marcantes da festa era a passagem de ano, a “rompida”, como muitos falavam, na Festa do Comércio. Na época, a energia da cidade inteira era desligada (este fenômeno era feito em várias cidades, tais como Camocim de São Félix, Pesqueira, etc.). A multidão ficava ali, espalhada por todo o espaço da festa, esperando as luzes serem apagadas. Imaginem a emoção de quem estava na roda gigante… Imaginem os montes de “vivas” e “feliz ano novo” proferidos pelos festeiros, após o reacender das luminárias… Das reflexões do dia 31, passava-se à euforia do 1º de janeiro, na festa, na alegria. Havia quem “rompia” o ano em casa e, somente depois, ia para a festa. Outros preferiam a passagem na “rua”.

Mas, infelizmente, a festa foi se acabando e não se pode mais viver esta sensação. Todos os que vivenciaram a mesma devem sentir grande emoção ao ver a preparação natalina da cidade. Talvez, um dia, Caruaru volte a fazer algo parecido com a Festa do Comércio. Oxalá…

José Daniel da Silva é pesquisador e professor de História.
E-mail: danielhistoria@hotmail.com / Twitter: @HistCaruaru


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro