24 de dezembro de 2012 às 23h00min - Por Mário Flávio

É impressionante observar todas as tecnologias utilizadas e movidas pelo sistema capitalista para fomentar o consumo nos diversos setores comerciais e industriais: confraternizações, amigos-secretos, presentes de natal, ceias fartas, comidas da época (Panettone, Peru, Chocolates, etc.), bombardeio da mídia e promoções mil. Tudo isso abençoado pela Igreja Católica e estimulado pelos nossos governantes (concessões, redução de tributos, parcerias público-privado, recuperação das estradas). De maneira estratégica, todo esse giro econômico que o capital demanda, precisa de justificativas “humanizadas” para nos convencer a consumir feito loucos: fraternidade, solidariedade e o famoso espírito natalino são as expressões mais utilizadas, inclusive pelas propagandas comerciais, que adentram nossos lares cotidianamente. Obviamente que escapar dessa lógica é difícil e me incluo nela.

Comparo todo esse movimento com o conceito de heterormatividade, que segundo Guacira Louro, professora da UFRGS e estudiosa da área, trata-se de um conjunto de normas, tecnologias e dispositivos sociais que visam promover a heterossexualidade como a única expressão possível da sexualidade humana. Ainda para a téorica, a heteronormatividade é reproduzida e estimulada em diversos espaços sociais: família, escola, mídia, legislação, religião, etc. Devido a tais fenômenos, a população LGBT é considerada estranha, desviante, subversiva e anormal (para não utilizarmos outras expressões). Assim como as comunidades tradicionais e todos que vão de encontro à lógica da produtividade e da competitividade são estranhos para esse sistema eminentemente urbano, consumista, capitalista, a população LGBT o é para a heteronormatividade, pois ambos os sistemas não reconhecem o diverso no humano. A regra é a padronização e a homogeneização para a obtenção do êxito (e do lucro) nos seus empreendimentos.

Talvez essas reflexões lancem luz sobre o porquê de termos gays homofóbicos, mulheres machistas e negros racistas. As minorias sociais estão imersas em sistemas que não nos reconhecem como sujeitos de direitos, não lançam referenciais, nem projetam imagens positivas acerca das diversidades, logo nossas referências são brancas, masculinas e heterossexuais. Do mesmo modo, o Natal não reconhece aquela parcela da população marginalizada, excluída, sem acesso e condições, tampouco aquelas crianças que nunca receberam visita do bom velhinho, talvez porque não tenham sido boas ao longo do ano… (embora valha ressaltar que até a caridade interessa ao capitalismo, dela sobrevive o terceiro setor). Com essas considerações desejo um excelente Natal aos estranhos do mundo.

*Cleyton Feitosa é estudante da Universidade Federal de Pernambuco e representante do Movimento LGBT no Parlamento Jovem de Caruaru


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro