19 de abril de 2013 às 17h25min - Por Mário Flávio

A afirmação foi do secretário Isaltino Nascimento, petista, durante a vinda do ex-ministro em ato de apoio do PT em Recife. Zé também esteve em Caruaru, em Normandia, num ato de apoio do MST. E lá estava eu, entre os que foram ouvir Dirceu, que completou 66 anos agora em março. O que teria ele a me dizer sobre os fatos e acontecimentos nos últimos anos em sua vida política e partidária? Sendo tão experiente que análise ele faria da conjuntura mundial e local?

Dirceu tem um passado de luta em favor da democracia de que não pode e jamais será apagado. Continuará sendo uma inspiração como exemplo de disciplina e dedicação a causas mais nobres. Ele tinha pouco mais de 20 anos quando inflamava multidões com palavras de ordem. Irreverente e provocante entrou primeiro no Partido Comunista e no meio estudantil, nas faculdades foi expressando cada dia mais sua indignação com os rumos que o país estava tomando.

Em 1966, torna-se presidente do Centro Acadêmico. A essa altura, ele já circulava na chamada Dissidência Comunista, uma entre tantas correntes em que se dividia o movimento universitário, vindo depois a presidir a União Estadual de Estudantes.

Foi preso em 12 de outubro de 1968 no 30º Congresso da UNE, na cidade de Ibiúna, no interior de São Paulo. Sendo depois solto. Dirceu passa a conhecer outros países da América Latina. De volta ao Brasil clandestinamente, Dirceu anda armado em São Paulo, onde fica por dez dias até voltar a Havana. Em 1975, submete-se a uma operação plástica no rosto, e volta ao Brasil, passando a usar o nome de Carlos Henrique Gouveia de Mello.

Em 1979 veio a anistia e ele volta a ser José, e novamente em Cuba refaz a plástica para recuperar sua expressão original. Ele durante todo esse tempo exerce sua militância lutando por um Brasil que superasse de vez o horror da ditadura.

Da luta das massas veio em 1980 a fundação do Partido dos Trabalhadores. Passa a se destacar no partido e torna-se em 1986 Deputado Estadual Constituinte e Federal em 1990, candidatando-se em 1994 ao governo de São Paulo. Em 1995, preside o PT e, em 1998 é eleito deputado federal pela segunda vez. A partir de então, o petista exerceria mandatos na Câmara dos Deputados e como presidente do Partido dos Trabalhadores.

Dirceu teve ainda papel fundamental nas campanhas de Lula para Presidência da República.

O QUE TERIA DADO ERRADO?

Primeiro o PT passou a ter a presidência, mas não o poder. Do mesmo modo que Lula para se eleger teve que ter não só o apoio popular, mas uma aliança com setores conservadores e partidos de esquerda e centro-esquerda, isso já a partir da escolha do vice. Eleito, o governo para encaminhar suas propostas optou por manter uma base ampla, e necessária. Há quem avalie que com o visível apoio da população e a articulação dos movimentos sociais o PT poderia implementar suas políticas públicas sem depender disso.

Governar é uma arte que poucos dominam. É um jogo de inteligência em que a conciliação de interesses é relevante em qualquer setor em que estejamos exercendo atividades. Quando se viola isso vem a reação. No meio político há outros jogos que se entremeiam. E, para os que ainda acreditam o país com o PT não só trouxe mudanças importantes no âmbito social, mas também no campo investigativo da Polícia Federal chegando a colocar “peixes grandes” na cadeia.

Sendo condenação política ou não, em 2006 Zé Dirceu teve seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar e agora sua condenação pelo STF por formação de quadrilha e corrupção deve o levar a prisão. Embora esteja em liberdade aguardando outras tramitações na justiça, inclusive a possibilidade de provar sua inocência.

O MAIS PODEROSO INSTRUMENTO DA CORRUPÇÃO

É uma indústria que opera em todos os segmentos sociais, principalmente na política suja. Há dirigentes com consciência disso e valem-se deste recurso com muita malícia, acionando traficantes e lobistas de influências para diversos fins. Muitas empresas pública ou privadas sabem andar pelos caminhos do tráfico de influências e conhecer suas encruzilhadas nos mínimos detalhes. Cadastram funcionários corruptíveis que ocupam cargos importantes e, estes, depois de nomeados e empossados, pagam a outros, facilitando o andamento de seus negócios e subornos.

TODOS NÓS SOMOS DIRCEU?

Armínio Fraga tem uma frase que diz: “Onde tem poder, existe potencial de corrupção, inclusive no setor privado, já que a corrupção não é monopólio do governo.” Mas ainda assim generalizar é perigoso. Acho que o PT vai demorar mais um pouco para superar a imagem negativa que ficou dos deslizes ou safadezas cometidas por seus quadros, seja no Brasil ou em nosso estado. Mas um legado histórico não se apaga tão fácil. Enquanto (e onde) houver dirigentes e militância determinados e disciplinados na tarefa original do partido, haverá esperança de uma superação da crise de identidade que enfrenta. Seja nos partidos políticos, nos governos, nas empresas e nos mais diversos segmentos a corrupção deve ser combatida, denunciada, investigada e seus envolvidos punidos. “Quem poupa o lobo condena as ovelhas” (São Thomás de Aquino).

O CAVALEIRO DA ESPERANÇA TEM MANDATO DE VOLTA

Um ato de justiça histórica: O Cavaleiro da Esperança não foi cassado por ser corrupto, por ser bandido ou por ter realizado ações contra os interesses públicos nacionais. Ele foi arrancado do Senado Federal por sua ideologia, por sua luta pelo socialismo,como diz na carta de Maria Prestas. O Plenário do Senado aprovou esta semana, dia 16, projeto de resolução que devolveu simbolicamente o mandato de senador ao líder comunista Luiz Carlos Prestes, falecido em 1990. Eleito senador em 1945 pelo Partido Comunista do Brasil com a maior votação proporcional da história política brasileira até então, Prestes teve seu mandato declarado extinto pela Mesa do Senado após o Superior Tribunal Eleitoral ter cancelado o registro do Partido Comunista do Brasil, em 1947.

O INIMIGO DO POVO

O Espetáculo “Um inimigo do povo” em cartaz hoje, dia 19 de abril, no SESC – Caruaru ás 20h. Uma oportunidade de aguçar as nossas reflexões diante no cenário político mundial. “Um Inimigo do Povo” tem direção de Moisés Gonçalves pelo Grupo Cena Aberta.

REFLETINDO

“Com o tempo, uma sociedade de carneiros acabará gerando um governo de lobos.” Bertrand de Jouvenel

*Paulo Nailson é dirigente político com atuação em movimentos sociais, Cursa Serviço Social. Membro da Articulação Agreste do Fórum de Reforma Urbana (FERU-PE) e Articulador Social do MTST. Edita a publicação cristã Presentia. Foi dirigente no PT municipal por mais de 10 anos.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro