17 de abril de 2014 às 17h26min - Por Mário Flávio

Da última vez em que estive conversando com Dr. Leite, uma boa e longa conversa, um dos itens colocado por ele foi sobre a possível retirada do relógio. Pelo conteúdo da conversa eu entendi que estava havendo uma negociação (razoavelmente longa) entre ele e a prefeitura sobre isto. Não conseguiam entrar em acordo e ele me pareceu mesmo irredutível. Mas antes de detalhar minha opinião sobre o fato de quarta à noite, “a derrubada do relógio”, quero compartilhar outra questão que foi a abordagem da polícia militar.

Recentemente o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) fez uma série de sugestões de melhorias no campo dos direitos humanos no Brasil. As orientações surgiram durante a última Revisão Periódica da ONU, realizada em maio de 2012, e geraram uma série de promessas do governo brasileiro. Mas uma dessas recomendações foi especialmente refutada sob a alegação de ser inconstitucional: a abolição do sistema separado de Polícia Militar.

Aproximando-se da Copa do Mundo o olhar internacional sobre nós está mais atento e deve nos levar a reflexão. O que fazer com a grande incidência de execuções extrajudiciais no país, denominados de “esquadrões da morte” dentro da Polícia Militar? Ano passado a própria Secretaria de Segurança Pública de São Paulo publicou uma resolução que acabou com os chamados “autos de resistência” ou “resistência seguida de morte”, denominações dadas para casos onde ocorriam mortes durante confrontos com a polícia. A corrupção dentro da Polícia Militar é também um fator que contribui para a violação dos direitos humanos da população.

Assassinatos cometidos por policiais de forma arbitrária e em serviço.
Outro fato, há pouco mais de um mês, na entrega do Prêmio Governador do Estado para a Cultura, o cineasta Cristiano Burlan pediu a Geraldo Alckimin uma “polícia mais humana”. Vencedor do prêmio do júri na categoria cinema por “Mataram Meu Irmão”, Burlan afirmou, durante discurso de agradecimento, que o governador deveria pensar em uma “polícia desmilitarizada e sem armas”.

A plateia presente aplaudiu de pé.
“Mataram Meu Irmão”, que além do Prêmio Governador foi o vencedor dos prêmios de júri e crítica do festival É Tudo Verdade, reconstitui o assassinato do irmão de Cristiano, Rafael, por meio de depoimentos de amigos e familiares. Segundo o cineasta, o irmão foi morto por uma quadrilha comandada por policiais militares. Em minha opinião o relógio já deveria ter saído há muito tempo, se existe uma tradição histórica, da presença física dele na memória do povo, isso eu até entendo e não questiono. Então penso que na sua remoção seria providenciado um novo projeto que o substituísse. Até onde fui informado, isso já foi feito. A forma como estava contribuía para a poluição visual que muitos combatem mais permanece em muitos ambientes.

Os detalhes da negociação, sobre o que é justo ou não, isso compete ao proprietário e o governo discutirem, mas talvez se torne público agora.
Sabemos que há registros de divulgação na imprensa, que para evitar afetar o trânsito o horário deveria ser esse mesmo. E também somos cientes que parte da população se desgoste, mas para quem está administrando certas decisões precisam ser tomadas e tarefas serem executadas, mesmo com opiniões contrárias.

Acho cômodo também aos que politicamente estão na oposição da atual gestão erguer a voz e fazerem todo barulho possível, pois é muito visível o discernimento sobre esses e aqueles que realmente estejam de coração partido com saudades do monumento. Minha incompreensão, revolta, indignação é mesmo com a forma que considero desnecessária da abordagem policial. É necessário evitar casos de abuso por parte da força policial, já que essa denominação permite inclusive determinar a causa da morte sem iniciar investigação. As cenas constrangedoras e violenta da ação são lastimáveis. Mas quantas vezes nos deparamos com estas cenas que retratam despreparo de policiais que considero não vocacionados para atuar na profissão que estão?

PARADA OBRIGATÓRIA – Desde a semana passada estão acontecendo em diversos pontos do município o “Parada Obrigatória”. O Estado recebe muitos turistas que se deslocam para Fazenda Nova e Caruaru é uma passagem estratégica. São muitos shows que movimentam a rede hoteleira, gastronomia, a cultura e muito mais. Vale a pena conferir.

HAJA ENTENDIMENTO – Também tenho filhas estudando na rede pública, estadual e municipal. Sei que a situação dos educadores em ambas as estâncias não são das melhores. Mas faço coro com as vozes de que esteja cada vez mais próximo o consenso entre grevistas e governo.

NUM DIA COMO HOJE…. – Em 17 de abril de 1996, a PM-PA assassina 19 sem-terra que bloqueavam a Rodovia PA-150. Laudo confirma que 10 foram executados a sangue frio. O procurador-geral da República responsabiliza o gov. Almir Gabriel (PSDB) pelas mortes. Até hoje, o crime permanece impune.

PARA REFLETIR

“A Páscoa, para os cristãos, além do ato político encabeçado por Moisés, é sobretudo a proclamação de que Jesus, assassinado em Jerusalém por volta do ano 30 de nossa era, condenado por dois poderes políticos, venceu a morte e manifestou a sua natureza também divina.”
“É fácil ter religião e professar a fé em Jesus. O difícil é ter espiritualidade e a fé de Jesus.” Frei Betto

*Paulo Nailson escreve semanalmente no blog Política de AaZ. No Jornal de Caruaru tem a coluna Cultura e Cidadania e é responsável pelo blog presentiaonline. Atua na Cultura e no meio político.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro