2 de março de 2012 às 09h26min - Por Mário Flávio

Por que já passaram tantos dias e ainda não acreditamos no que aconteceu? Por que o peito ainda está apertado? Ainda não conseguimos conter as lágrimas. Por quê?

Lembranças que nos acompanharão e será nossa inspiração para o resto da vida, de alguém que amava a Deus servindo-o no mundo. O quando esta Igreja peregrina, brasileira e nordestina deve ser grata a Deus por ti. Tudo que você acumulou aprendendo e andando com Deus não reteve para si, socializou.

Mas você permanecerá presente entre nós todas as vezes que vimos alguém sendo capaz de entregar a própria vida para defender algo que acredita;

Somos herdeiros do prazer que você possuía de fazer história com alegria, daquele amor que neutraliza o ódio. Herdeiros da “Utopia Possível” como um valor que nos alimenta na caminhada. Herdeiros daquela “Sexualidade e Sanidade”, daquela visão de que “Cristianismo e Política” podem e devem andar de mãos dadas; de identificar as “origens do coronelismo”, buscando caminhar como “Multidão Madura” encarando a Igreja como “Agência de Transformação Histórica”.

Continuaremos “Reforçando as trincheiras” da “Igreja como comunidade de liberdade” e não de opressão, e fora dela experimentando e antecipando o Reino de Deus que viveremos em plenitude no futuro, mas que temporariamente no mundo podemos e devemos exercitá-lo.

Estaremos atentos no que aprendemos com teu exemplo: se acumularmos títulos, não nos distanciaremos do povo; se feridos, golpeados, injustiçados, machucados, traídos pelos de perto reagiremos com firmeza, mas sem perder a ternura; quando adquirirmos muito saber e em vez de arrogância e prepotência permaneceremos humildes; tendo responsabilidade sobre os outros, nos colocarmos no lugar deles e os trataremos com devido amor e respeito; sendo profeta traremos luz e libertação para o povo, no lugar de escuridão e julgamento; denunciaremos a indiferença criminosa de quem deveria ser pelo povo.

Até lá, caminharemos perdoando porque fomos perdoados, não calando nem perdemos a fé na justiça, pois cremos que a morte, a injustiça, a dor, o desânimo, as derrotas não são a última palavra da história.

Hoje, com dor sentimos sua ausência, mas reencontramos força e esperança na certeza do reencontro futuro, onde tornaremos a nos abraçar e trocar estas lágrimas pelo sorriso.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro