10 de dezembro de 2011 às 10h27min - Por Mário Flávio

Por Jorge Luiz

Graça Caldas, doutora em Ciências da Comunicação pela USP, afirma que “assessores de imprensa e jornalistas de redação são todos jornalistas”. Isso nos faz refletir sobre o verdadeiro papel do colega de redação e do assessor de imprensa – dentro da ética profissional -, além de contribuir para o rompimento de preconceitos, levando-nos a nos situarmos de igual para igual como profissionais da comunicação. Até  porque a maioria passou por redações ou assessorias, e, o mais importante, se profissionalizou através de uma graduação em Comunicação Social.

O fato é que, por todos estarem inseridos dentro de um conjunto teórico e prático das ciências da comunicação e pautados na ética jornalística, devem seguir preceitos de transparência, objetividade, neutralidade, imparcialidade, e principalmente, divulgação de informações gratuitas de assuntos de valor e interesse público. Dentro dessa perspectiva, o assessor de imprensa e os jornalistas de redação devem comungar dos mesmos princípios que regem o jornalismo realmente útil à sociedade.

O norte-americano Ivy Lee, precursor do setor de assessoria de imprensa, já enfatizava que o trabalho de relações públicas ou assessoria não caracterizava um serviço secreto, e sim, um “trabalho feito às claras” que pretendia divulgar tão somente notícias. Na declaração de princípios que ele criou, ficava nítido que a ação não era publicitária. “Isso não é agenciamento de anúncios. Se acharem que o nosso assunto ficaria melhor na seção comercial, não o usem. Nosso assunto é exato”.

Dentro desse contexto, o assessor de imprensa deve ter em mente que o relacionamento correto com quem está do outro lado do “balcão” deve se basear em um conjunto de regras ético-morais em que sobressai o pressuposto da confiabilidade. O assessor deve comprometer-se a fornecer informações – apenas informações – e colocar-se à disposição da redação, sempre que solicitado, para respostas honestas e verdadeiras.

Muitas vezes, os assessores de imprensa esquecem que também são jornalistas e assumem um papel equivocado de esconder informações e, em outros momentos, quase exigem do jornalista a divulgação de assuntos de interesse apenas institucional. É em casos como esses que o relacionamento começa a ficar nebuloso, a complicar-se, provocando dificuldades crescentes para os dois lados. O ideal é divulgar tão somente a informação com valor jornalístico. Se isso resultar em promoção da fonte das notícias será mera conseqüência.

É lógico que existe um natural interesse de persuasão por parte do assessor de imprensa ao divulgar a sua informação, assim como há uma ânsia do jornalista de redação em ter acesso aos dados de interesse público. O que não pode ocorrer é que as funções distintas das duas partes instalem um conflito de interesses a ponto de levar o relacionamento a um baixo nível de profissionalismo e ao comprometimento da ética. Um respeito aos limites é essencial para o desenvolvimento de um relacionamento pautado na credibilidade e nas ações de cada um.

Mas não há que se exigir o cumprimento das regras ético-morais apenas para os assessores de imprensa. Os jornalistas de redação também devem ser honestos e verdadeiros com eles. Buscar os dois lados de uma história, confrontá-las e determinar a veracidade do fato é obrigatoriedade na prática do bom jornalismo. Querer criar factóides também não compõe a ética jornalística, já que toda apuração deve ser rigorosa. Sonegar o foco de uma pauta pode até ser um direito a que a redação se atribua, mas não é eticamente justificável. Clareza e objetividade sempre ajudam. Querer colocar aspas em algo que já vem pré-fabricado da redação não atende ao princípio da veracidade. O ideal do jornalista de redação é ser transparente no relacionamento com a assessoria de imprensa e nunca omitir informações.

Não podemos negar que existe uma perspectiva de conflito entre assessores de imprensa e jornalistas de redação, mas isso pode ser minimizado se ambas as parte observarem as regras de convivência e princípios que já enfocamos. Mas nada substitui o bom-senso. Nem tão pouco faz sentido partir de posições preconceituosas, de pretensa superioridade.  Afinal, somos todos jornalistas.

Jorge Luiz é jornalista e atualmente desempenha funções de assessoria de imprensa.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro