25 de maio de 2013 às 11h25min - Por Mário Flávio

Nelson Piquet quando perguntado sobre a importância do vice-campeonato de Fórmula 1 conquistado por Barrichelo afirmou: “o segundo colocado, é o primeiro perdedor”. Essa frase representa bem a maneira como nós brasileiros lidamos com as disputas, desde os esportes até a política, apenas nos interessa a vitória. Não importam as circunstâncias das disputas, o esforço gasto ou se até mesmo se o imponderável atrapalhou a vitória, se perdeu é um derrotado e deve ir para o limbo, para o esquecimento, somos cruéis com os vencidos e incensamos os vencedores.

Tal situação explicaria o sumiço da oposição em Caruaru, que até o presente momento não atuou de forma efetiva e consistente desde o início do mandato. Embora o resultado do pleito de 2012 tenha sido adverso, de modo algum justificaria o silêncio da oposição, pois de forma alguma foi uma derrota esmagadora, ou aniquiladora. Afinal, mesmo com a assimetria de forças mobilizadas pela situação na disputa, entre os quais destacamos: palanque forte, guia eleitoral bem acabado e os recursos disponíveis para a campanha de rua, a oposição conseguiu 40,25% dos votos.

Esperava-se, portanto, que diante dessa votação a oposição ganharia fôlego e seria mais atuante do que no mandato anterior, procurando valorizar o volume de votos recebidos e fidelizar esse eleitor para os próximos pleitos. Entretanto não foi isso que aconteceu, tanto na esfera legislativa, quanto dos candidatos ao executivo, nenhum deles vem se pronunciando ou delimitando o território. Usa-se a desculpa da diferença das bancadas da Câmara, para justificar o injustificável. Contudo se tomarmos como exemplo a Câmara Municipal do Recife, onde a bancada da oposição também é pequena, a mesma vem conseguindo impor derrotas e constrangimentos ao executivo, como no recente caso do rodízio de carros na capital. Faltam coordenação e vontade de atuar como oposição.

Vários fatos graves na esfera local estão literalmente caindo no colo da oposição, mas não estão sendo aproveitados. Tivemos a aprovação do malfadado PCCDR da educação, inclusive com o apoio da oposição, o não debate com a categoria dos professores, a situação do aterro sanitário, a recente crise na saúde e o inchaço da máquina com comissionados, fato confirmado pelo Tribunal de Contas, um verdadeiro trem da alegria sem que ninguém saiba os critérios para a seleção desses cargos. Quantas dessas pautas foram realmente auditadas pela bancada de oposição? Quantas ações além de pronunciamentos insossos na tribuna da Câmara se materializaram?

A explicação para essa apatia e silêncio é a percepção errônea de que um político na oposição é sinônimo de fracasso, tanto no legislativo, porque o mesmo não conseguirá trazer obras para as suas bases, como também no executivo, pois sem o controle da máquina não saberiam manter seus espaços. Tal concepção equivocada e dominante, explica o mutismo dos adversários do prefeito e o adesismo praticado pelos vereadores eleitos pela oposição, que criticaram a atual gestão na campanha, usaram a estrutura de Miriam Lacerda e em menos de seis meses praticamente migraram para a base do prefeito. Ora se os próprios políticos não valorizam seus papeis de oposição, demonstrando uma verdadeira incapacidade em atuar fora da máquina, porque a população deveria?

Outro aspecto que tem de ser levado em conta também, é que embora tenhamos uma cidade dividida em grupos políticos, na prática essa divisão não correspondem a concepções e projetos de governos distintos. Não existem grandes diferenças conceituais entre o atual governo e o anterior, são adversários não por que tem ideologias opostas, mas sim porque disputam a cadeira do Palácio Municipal. Possuem apenas embalagens diferentes, mas o conteúdo é o mesmo. Faltaria assim legitimidade nas críticas, pois a oposição em seus governos também usou e abusou de atos arbitrários e autocráticos, e repetiram os mesmos equívocos ou até piores e são lembrados disso, nas poucas vezes em que criticam.

A ausência de uma oposição combativa empobrece a democracia, pois embora esta seja o regime da maioria não é o da unanimidade. Se a democracia reserva aos vencedores a função de montarem os governos, aos vencidos ela confere o papel de principalmente representar a minoria, que através da atuação da oposição não é alijada na vida política. Ser oposição não significa torcer contra a cidade, ou tentar sabotar o governo, mas demonstrar que existem várias opções e ações possíveis na administração de um cidade como Caruaru. Afinal como bem disse Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra, e a não existência de críticas construtivas conferem as ações e projetos do executivo um caráter divino, infalível.

É através do contraditório, da fiscalização, da crítica bem fundamentada, sem ataques pessoais, que a oposição pode contribuir efetivamente para o aprimoramento da governança municipal e dessa forma qualificar-se junto ao eleitor nas próximas disputas e assim promover a tão necessária alternância do poder.

*Mário Benning é professor e analista político


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro