16 de janeiro de 2014 às 07h25min - Por Mário Flávio

Nas maiores ou menores discussões da população sobre política ou políticos, sempre surgem vários motivos, pelos quais se poderiam mudar a forma ou o modo de se executar essa arte tão bela (quando exercida de maneira coerente, sem subterfúgios), e praticada de forma institucional em todos os municípios do Brasil. Dificilmente o tema Reforma Política está inserido nas palavras desses debates, que são tão saudáveis para a manutenção racional das pessoas que “esbarram” de forma direta ou indireta a várias ações derivadas da política em seus cotidianos.

Nessa plataforma, que é tão discutida e tão pouco executada na Câmara e no Senado, surge uma carência e um desejo que além da tal reforma ser política, que ela vá além de uma reforma eleitoral, e que ganhe força social e maior participação nesse dispositivo que pode transformar a vida das pessoas em seus centros urbanos e rurais. É aí onde chamo atenção para o Voto Distrital, de modo que os municípios e estados seriam divididos em distritos onde os eleitores votariam e elegeriam candidatos da sua região, para representar sua localidade.
Para se ter ideia, cerca de 70% da população não lembra em quem votou na última eleição para deputado, de maneira que num efeito dominó, boa parte dos parlamentares eleitos também não sabem concretamente quem os elegeu.

Só no estado de Pernambuco em 2010 tiveram 199 candidatos a deputados federais para 25 vagas, e 464 candidatos a deputados estaduais para 49 vagas. Já na edilidade caruaruense em 2012, foram 306 candidatos a vereadores para 23 vagas. Existem possibilidades da população/eleitores conhecerem todos os candidatos? Obviamente que não. São números que não invejam os mais concorridos vestibulares do país.

O Voto Distrital aproxima o eleitor do seu “representante”, seja ele na Câmara Municipal, Federal ou Assembleia Estadual, ajudando a população a escolher melhor, tornando mais fácil a opção do voto, na mesma ótica que quem elege tem uma facilidade muito maior de fiscalizar/cobrar o eleito, devido o formato de aproximação regional, sem esquecer que para o candidato pelo menos em tese a eleição fica mais barata em termos logísticos, principalmente na eleição para deputados estaduais e federais.

Quase todos os continentes no mundo utilizam dessa ferramenta em seu sistema eleitoral, podemos citar como exemplos os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Rússia, Alemanha, Japão, Austrália, e a Nova Zelândia. Outra mazela política que acabaria com a implantação do voto distrital é o chamado “efeito Tiririca”, onde usando o próprio exemplo, podemos observar que sua votação expressiva elegeu mais 3 deputados com votações inexpressivas. Daí fica a pergunta, ora, já que é tão bom para a população o sistema de voto distrital, o que falta para ser aprovado e executado?

É aí onde surge o câncer chamado de velha política, pois só quem pode mudar é justamente aquele que foi eleito pela antiga regra, pois em sua maioria ele sempre terá medo de perder caso mude com o novo formato da reforma política. É hora de pensar menos individual e mais plural!

*Raffiê Dellon é Presidente do PSDB de Caruaru.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro