7 de abril de 2012 às 10h05min - Por Mário Flávio

Texto da Doutora em Filosofia, Rita de Cássia, sobre a questão da duplicação da BR 104, no trecho urbano de Caruaru. A coluna é publicada semanalmente no Jornal Vanguarda. Segue o texto:

Projeto Urbano (II)

Marco Aurélio, o imperador filósofo, tinha como norma moral de vida não deixar se corromper pelo poder. Foi um homem de conduta reta, de moral ilibada e um bom administrador; tão bom que, mesmo sendo estoico (corrente filosófica bastante próxima dos preceitos cristãos), foi implacável perseguidor dos cristãos, porque esta atitude era a esperada de um bom governante. O imperador nos deixa a lição de que na gestão pública se faz necessário os sacrifícios pessoais em prol da responsabilidade de agir como gestor.
Marco Aurélio nos deixa a lição de que um bom governante deve atender as necessidades dos cidadãos, transportando a lição do pensador para as nossas necessidades. Hoje, verificamos que construir uma grande obra, como a duplicação de uma rodovia, sem pensar nos pedestres, sem construir passarelas e ainda pedir que a população se organize para requerer o que é de direito é ausência de gestão pública para interferir em uma obra que prejudica quem precisa andar a pé. O gestor deve ser articulado, de modo a garantir a liberdade de locomoção e a economia das localidades em obra.

Um bom gestor não se cerca apenas de amigos ou distribui cargos para satisfazer políticos, mas também cerca-se de técnicos, de quem sabe o que está fazendo, para que jamais acesso a hospitais sejam bloqueados e que projetos de trânsito não sejam apenas inspirados em grandes metrópoles, sem levar em consideração as peculiaridades locais. Um bom gestor, quando não agrada, volta atrás, como o imperador incentivava e fazia, pois reconhecer erros torna um homem grande.

Um bom gestor cuida dos bairros da cidade, do acesso, de calçar as ruas, do saneamento, da segurança, não permitindo que uma população esteja abandonada (qualquer relação com a Nova Caruaru não é mera coincidência). Um bom gestor se sensibiliza com o sofrimento das pessoas, conversa com elas e abre o orçamento da cidade para que se verifique o que se gastou, de modo que se possa conversar com a população sobre o que é possível melhorar e entender de logística para mandar seu secretário tapar os buracos que a troca de tubulação causou em uma ação coordenada. Um bom gestor passeia pela cidade e a conhece como a palma de sua mão e não trabalha apenas trancado em seu gabinete, nem tampouco confunde política com batizar meninos pobres e comer na casa de gente simples e que mora no sítio, fazendo pose de simpático para ganhar voto.

Precisamos urgentemente de candidatos a gestores e, já que a semana é santa, quem sabe Deus não ajuda?


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro