17 de dezembro de 2011 às 10h00min - Por Mário Flávio

 

Foi-se o tempo em que as crianças pediam carrinhos e bonecas de presente ao bom velhinho no natal. De acordo com dados do The Nielsen Company, o tablet é o equipamento mais desejado entre os eletrônicos nesta temporada. 44% das crianças, de seis a 12 anos, pesquisadas estão interessados ​​em ganhar um iPad, 30% querem um iPod touch e 27% querem um iPhone. Para essas crianças que já nasceram na era da tecnologia, pode até ser normal o desejo de tanta modernidade para presente… e mesmo sendo uma apaixonada por todo esse mundo do ‘futuro’, fico com o pé atrás quando se trata da formação intelectual e até mesmo de vida dessas pessoinhas de seis, sete anos de idade.

Explico… estamos criando uma geração que não possui mais o hábito de brincar na rua, de ler um livro, um jornal, de escrever uma carta… agora tudo é feito através do computador ou de qualquer um dos novos meios que aproximam (ou não!) as pessoas. Fico pensando até onde isso é saudável… Acredito que dessa forma estamos incentivando a criação de “analfabetos funcionais”… pra que ter o hábito da leitura se tudo que se quer procurar está a um clique do Google!?  É preocupante!

Lembro que, em 2004, eu era estagiária da Rádio CBN Recife e todo o trabalho de produção e apuração era via internet, fax e telefone… um determinado dia, faltou energia e eu juntamente com os outros estagiários entramos em pânico. Como fechar o jornal? Onde pegar a agenda cultural? Como checar a notícia? Minha coordenadora, Éden Pereira, disse calmamente: “Na minha época de estagiária não existia computador, era a máquina de datilografar. Toda e qualquer apuração era por telefone ou pessoalmente e nós conseguíamos fazer tudo. Os jovens de hoje estão muito acomodados com a facilidade que a internet dá. O telefone tá ali. O jornal do dia também. Apurem!” Nunca mais esqueci essas palavras e o peso delas para a minha profissão. E isso foi em 2004. De lá pra cá… quanta coisa evoluiu neste mundo da tecnologia, heim!?

Admiro demais esses avanços, mas fico realmente preocupada com o futuro. O que esperar dessa “geração Y”?! Será que as crianças daqui a uns 20 anos vão achar que os livros, por exemplo,  são objetos de museu e que não será mais preciso pensar porque a internet vai dizer tudo?! Não sei… só sei que este assunto ainda vai render mais uns posts lá na frente. Por enquanto, mesmo precisando de um tablet para facilitar os meus trabalhos… aceito livros de presente, viu Papai Noel?!

*Conceição Ricarte é jornalista, com pós graduação em Assessoria de Imprensa,  produtora da Rádio Globo FM, analista de social media e apaixonada por internet e tecnologia.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro