24 de junho de 2013 às 09h20min - Por Mário Flávio

As recentes manifestações populares em diferentes cidades do país reforçaram a necessidade de reestruturação  das comunicações e as próprias mudanças no hábitos de quem consome notícia. Especificamente, os veículos de jornalismo on line se mostraram uma fonte mais sólida e consistente para apresentar, filtrar e compilar informações sobre os atos públicos, do que os veículos tradicionais. Na Capital do Agreste, Caruaru, isso se mostrou por exemplo, nas últimas semanas, quando os blogs locais deram atenção destacada à mobilização “Não é só pelos centavos”. Aqui no Política de A a Z, por sua vez, o sábado, dia 22 de junho, foi especialmente dedicado para o manifesto popular em Caruaru, com vídeos, fotos e notícias que mostravam o protesto de perto e em tempo real. 

Nesse contexto, a coluna a seguir, publicada pelo jornalista Magno Martins em seu blog, traduz o período de revolução digital atual, em que a mídia on line consegue alcançar espaço como uma fonte cada vez mais procurada entre os consumidores, o que coloca os veículos tradicionais em um processo de reformulação. Confira.

Jornais engolidos pela web

O que antes era uma mudança lenta e gradual ganhou velocidade de um jato. Refiro-me à chamada revolução digital, que mudou os hábitos dos brasileiros e o conceito da informação. Em apenas cinco anos, os brasileiros com acesso à internet pularam de 32 milhões para 78 milhões.  

Em Pernambuco, como canal de informação a web só perde, hoje, para a televisão, tendo deixado para trás, bem distante mesmo, o rádio e os jornais impressos.

Este blog está de posse de uma pesquisa do Instituto Opinião, de Campina Grande, sobre os hábitos de consumo de mídia no Estado.

Os números impressionam e atestam que os veículos impressos enfrentam uma grande agonia, num processo de falência que parece irreversível. A televisão continua sendo o meio de comunicação mais poderoso.

Segundo o levantamento, 70,3% dos entrevistados disseram que acompanham o noticiário pela TV. Depois da televisão, a internet mostra a sua face poderosa. Já é em Pernambuco o segundo maior canal de informação para 18,2% da população.

Como mídia, portanto, só está abaixo da TV. O rádio vem em terceiro lugar com 7,4% e os jornais impressos continuam como fonte de notícias para apenas 1,9% da população, sobrepondo-se apenas às revistas, com 0,5% das citações.

O Instituto Opinião ouviu duas mil pessoas em Pernambuco entre os dias 14, 15, 16 e 17 deste mês em 80 municípios de todas as regiões. A margem de erro é de apenas 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa aponta as razões da revolução digital: quase metade dos entrevistados com grau de instrução superior (44,2%) se informam pela internet. Neste universo, leitores de jornais, que antes eram predominantes, hoje são apenas 4,3%.

Entre os jovens na faixa etária de 16 a 24 anos, o avanço da web como fonte de informação ainda é maior: 37,5% contra apenas 1,7% de jornal impresso. Entre os leitores com renda acima de 10 salários, 30,9% preferem a internet contra 7,4% os tradicionais jornais impressos.

Até entre os que têm renda de um salário e grau de instrução da 5ª a 8ª série, as diferenças são discrepantes – 10,5 contra 0,6%. Se somados os percentuais dos jovens (37,5%), dos que estão na faixa etária de 25 a 34 anos (23,4%).

E entre os com 35 a 44 anos (17%), os leitores que preferem se informar pela net em Pernambuco chegam a quase 80%, algo fantástico.

TV AMEAÇADA– A revista Veja também sai esta semana com números que apontam a revolução digital: 22,5 milhões de brasileiros assistem a vídeos por meio da internet mensalmente. Isso equivale a mais que a população de Minas Gerais ou a metade dos expectadores sintonizados em todas as redes de TV na noite de domingo das 20 às 22 horas. A TV tradicional não vai desaparecer, mas a popularização de novas tecnologias transforma os hábitos do espectador.

Mudança radical – No Brasil, 43% das pessoas que veem TV e navegam na internet ao mesmo tempo 29% fazem comentários durante a exibição dos programas. Nos Estados Unidos, cinco milhões de residências já dispensam o aparelho de TV, pois preferem ver a programação em computadores, tabletes e celulares.

Vídeos no tablet – No Brasil, das pessoas com acesso à internet 44% veem vídeos no laptop ou no computador; 37% no tablet, que já se impõe como um companheiro enquanto as pessoas veem TV, e 24% no celular. Tem mais: 71% cogitam pagar pela assinatura de serviço de TV sob demanda na internet, enquanto 68% se dizem propensas a pagar por canais de assinatura no You Tube.

Sertão na Frente – Por região, o Sertão do São Francisco é que tem o maior percentual de leitores que buscam notícias pela net: 26,3%, seguida da Região Metropolitana com 19,5% e o Sertão Central, Pajeú e Araripe com 19%. A Zona da Mata registra a menor taxa, de 14,8%, enquanto o Agreste tem 15,5%. Os números são do Instituto Opinião e integram a pesquisa sobre  consumo de mídia.

O furacão da crise – No rastro das mudanças de hábito impostas pela internet, os grandes jornais nacionais preparam a travessia para sumir do impresso e aderirem 100% ao online. O primeiro a tomar essa decisão foi o velho Jornal do Brasil. Na crise, o grupo Abril está fechando nove revistas, o Estadão está resumido a três cadernos e a Folha de São Paulo cortou 30% dos seus quadros da redação.

CURTAS

CANAL PRÓPRIO– De olho nos 23 milhões de brasileiros que têm costume de ver vídeos na internet, as Organizações Globo inauguraram em 2012, sem alarme, o próprio portal por assinatura da televisão, o Globo. TV+. Estamos, portanto, diante de uma transformação só comparável ao impacto das primeiras transmissões de TV.

PELAS REDES– A força da internet ficou patente, mais uma vez, como canal mobilizador para grandes eventos. Segundo pesquisa do Datafolha, 81% dos jovens que se engajaram nas manifestações ocorridas em São Paulo na semana passada tomaram conhecimento do protesto pelas redes sociais.

Perguntar não ofende: Quem se atreve a ficar de fora da revolução digital?

*Magno Martins é jornalista e editor do www.blogdomagno.com.br


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro