2 de fevereiro de 2013 às 12h37min - Por Mário Flávio

O processo democrático naturalmente gera a oposição, ao eleger a maioria como forma de acesso ao poder garante à minoria o papel do contraditório e da fiscalização, na Inglaterra é muito comum a montagem do chamado gabinete das sobras, onde a minoria parlamentar faz marcação cerrada em todos os passos do executivo. Esse tipo de oposição é mais do que necessária à saúde dos regimes políticos, pois promove a discussão e força a correção de rumos nas ações governamentais, sendo uma crítica embasada e responsável, encontrará respaldo na sociedade, podendo até gerar a saudável alternância do poder.

Porém se essa oposição segue o padrão dos EUA, seguindo a lógica do quanto pior melhor, desfraldando bandeiras da intolerância religiosa, da discriminação racial, regional ou de gênero, passando a utilizar ataques à vida pessoal ou a imagem como estratégia eleitoral dificilmente logrará sucesso.

Infelizmente no Brasil oposição nacional se enquadra mais no padrão made in usa, ou da velha UDN, ao partirem para o ataque pessoal e a difusão de cenários apocalípticos, que graças a Deus nunca se concretizam, seja na geração de energia, na economia ou do mar de lama que toma conta do país.

A aprovação a Lula e a Dilma seria fruto do bolsa família e da ignorância da sociedade que não sabe votar, principalmente no Nordeste, o que releva uma contradição interessante, o povo só sabe votar quando elege os seus candidatos. O governo Lula-Dilma tem muitos aspectos a serem criticados, porém possuem pontos fortes que dão aprovação popular. Voltamos a ter uma política de desenvolvimento regional, investimentos em programas sociais e da saúde básica, a expansão das universidades e institutos federais, tornando acessível a muitas famílias o ensino superior e técnico gratuito e de qualidade e principalmente a diminuição das desigualdades que provocou uma expansão do consumo.

Lula e Dilma, não são governantes perfeitos, mas a população enxerga-os como aqueles que colocaram o Estado para trabalhar em favor da sociedade pela primeira vez após a redemocratização. A oposição a partir para o tudo ou nada, dá a impressão que voltaremos ao estado mínimo e a interrupção dessas ações. A sociedade sinaliza que até aceita não reeleger Dilma, desde que não se alterem as linhas mestras do Estado, aceita trocar de governo, mas não de Estado.

Afinal a pergunta que perpassa a população é a seguinte? Para onde iam os recursos públicos antes de Lula e Dilma? Por que o Estado não investiu no social antes? E a lembrança do governo PSDB-DEM não tem um recall muito bom afinal, o Brasil quebrou três vezes em seu período, os serviços públicos foram sucateados e privatizados. E se falam em apropriação do poder por um partido, esquecem que foram elas que mudaram a constituição para garantir a reeleição.

Se a oposição quer ter chance em 2014, ela não pode apostar no discurso da ética, afinal como diz o ditado popular: não existe virgem na zona, os governos da oposição tem telhado de vidro nesse aspecto, ou do caos econômico, afinal FHC foi reeleito em 1998 durante uma das mais severas crises econômicas do seu mandato. A oposição tem que apresentar um projeto de país que garantam o crescimento econômico e a diminuição das desigualdades regionais e sociais, Pois a sociedade brasileira pode até querer trocar a maneira de governar, mas não quer alterar a essência do governo.

Nesse sentido quem vem tecendo esse caminho e procura assumir esse papel no imaginário do eleitor, de alterar o modelo de gestão, procurando a excelência nos gastos públicos, mas preservando a sensibilidade social é Eduardo Campos e em escala menor Marina Silva. A oposição para ter vez precisa ter voz, mas o mais importante que a sua voz toque os anseios do eleitor.

*Mário Benning é analista político e professor universitário


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro