4 de outubro de 2013 às 09h53min - Por Mário Flávio

Em uma definição objetiva o camarim é um local reservado aos artistas para se prepararem nos momentos que antecedem as apresentações, ou para trocar as fantasias durante os espetáculos. Portanto os camarins da política, não são os bastidores em si, os fatos ocorridos por trás das cortinas, mas de uma forma específica o momento em que os políticos escolhem as roupas com as quais irão desfilar no período eleitoral.

De dois em dois anos, tanto nas eleições federais, quanto nas municipais, os políticos passam um bom tempo nos camarins, decidindo quais as “fantasias ideológicas” irão utilizar no pleito eleitoral. Descaradamente se travestem com novas características, jogam fora as antigas vestes e utilizam as novas, que possivelmente lhes trarão maiores benefícios.

Inúmeros são os exemplos de políticos que trocaram de partidos ou estão prestes a mudar, mudança esta que não se caracteriza por transformações na sua perspectiva ideológica, mas sim para se adaptarem as novas conjunturas em que o cenário político está organizado. Para se perpetuar no poder, os políticos brasileiros não têm ressalvas para mudar de partido. Entretanto quando as possibilidades expostas, as roupas que estão no camarim não são compatíveis com os novos anseios, criam- se partidos, criam- se roupas que estejam na moda, que permitam uma boa “aparência” aos políticos.

Novos partidos como o Pros, Solidariedade (SDD), a possível criação da Rede, encabeçada por Marina, demonstram o quanto é volátil a nossa política, e o quanto é frágil nossos partidos. Havia uma frase no período imperial, quanto às supostas divergências entre liberais e conservadores que dizia o seguinte: “Ninguém é mais liberal que um conservador na oposição, nem mais conservador que um liberal no governo”.

Parece que de lá para cá não mudou muita coisa, a não ser porque hoje não estamos mais resumidos a liberais e conservadores, mas na prática o que diferencia a maioria dos políticos é algo bastante complicado para compreendermos. Não maioria dos casos não existe identificação partidária no Brasil, e sim uma luta pelo poder, que faz com que antigos aliados da ditadura militar, posem sorridentes como defensores da democracia, ao lado de socialistas. Ou então, aqueles que se dizem pertencentes a uma suposta esquerda, na prática tenham posturas de ordem neoliberal.

Muitos falam em crise de democracia no Brasil, mas será que realmente em algum momento chegamos a ser uma democracia de verdade? Os políticos que deveriam representar os cidadãos da pátria será que os representam? São questões talvez simples de serem respondidas, mas ambiguamente difíceis de serem analisadas, e mais complicado ainda para transformarmos essa realidade, não que seja impossível, pois tudo pode mudar.

São poucos os políticos do nosso país que possuem uma real identificação, com a ideologia a qual defendem, tendo coerência nas ideias e nas práticas. Os camarins da política estão sempre lotados, com velhas e novas roupas, para serem usadas na eleição, o que a maior parte dos nossos “representantes” não quer é a nudez, ou as roupas velhas, porém cabe a cada um de nós eleitores/espectadores que esperam ver o desfile daqueles que trocam as vestimentas, dedicar vaias ou aplausos aos políticos/artistas, na eleição/show.

*Alan Marcionilo é professor de história


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro