
Existe uma frase que, repetida por décadas, acabou virando um escudo conveniente para a omissão: “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. O problema é que, por trás desse ditado aparentemente inofensivo, esconde-se uma cultura de silêncio que tem custado caro e, muitas vezes, custado vidas.
É impossível ignorar que grande parte dos casos de violência doméstica acontece diante de sinais claros: gritos, marcas, comportamentos de medo, pedidos indiretos de ajuda. E, ainda assim, muitos homens que poderiam agir, intervir, denunciar ou ao menos oferecer apoio escolhem cruzar os braços. Não por falta de força, mas por comodidade, por medo de se envolver ou, pior, por uma visão distorcida de que aquilo “não é problema deles”.
Mas é, sim! Quando uma mulher é agredida, não é apenas um problema de um casal é uma falha coletiva. É a ausência de uma rede de proteção que deveria começar dentro da própria comunidade, entre amigos, vizinhos e familiares. Onde estão os homens quando suas próprias mães, irmãs ou amigas enfrentam relacionamentos abusivos? Onde está o senso de responsabilidade que tanto se reivindica em outros discursos?
Defender mulheres não é sobre heroísmo ou violência reativa. É sobre postura. É sobre não rir de piadas que naturalizam agressões, não ignorar sinais evidentes, não silenciar diante do absurdo. É sobre ter coragem de interromper o ciclo seja com uma palavra, uma denúncia ou um gesto de apoio.
A verdade incômoda é que a omissão também é uma forma de conivência. E enquanto houver homens que preferem se esconder atrás de frases feitas a assumir uma posição, a violência continuará encontrando espaço para existir. Talvez esteja na hora de trocar o ditado antigo por uma nova atitude: em briga onde há violência, não só se mete a colher, se mete consciência, coragem e responsabilidade e em último caso um projétil de 9mm.