9 de outubro de 2012 às 15h58min - Por Mário Flávio

Como sempre, encerrada a apuração, os números que emergem das urnas passam a servir de fonte para as mais diversas reflexões no sentido de explicar as vitórias e justificar as derrotas.

Na situação particular de Caruaru, a principal delas e que tem fomentado maior especulação, refere-se aos fatores que mais contribuíram para o tamanho da derrota imposta por José Queiroz ao grupo capitaneado por Tony Gel, tendo a sua esposa, Miriam Lacerda, como candidata.

Já ouvi, em mais de uma ocasião, especulações que procuram creditar ao Governador Eduardo Campos o grande mérito pelo vertiginoso crescimento da candidatura de José Queiroz, passando-se a impressão de que não fosse a ação do Governador o resultado deste pleito seria outro.

Sem deixar de reconhecer a importância do apoio do Governador, cuja popularidade por todos já é conhecida, tenho entendimento de que o mérito principal da vitória de José Queiroz não está no apoio de Eduardo, mas na superação do principal problema que até então afetava seus índices de intenção de voto.

Indo direto ao ponto, a meu sentir, o principal problema de José Queiroz, até a entrada do guia eleitoral de Rádio e TV, eram os elevados índices de rejeição pessoal aliado às pouco satisfatórias taxas de aprovação de sua administração por parte da população.

Basta dar uma verificada nas últimas pesquisas realizadas no decorrer de 2012 para se constatar que a visão do eleitor em relação ao governo do José Queiroz teve duas fases bem distintas neste curto período de observação.

A primeira, que veio até 22.08.2012, período anterior ao início do Guia de Rádio e TV, especialmente porque impactada negativamente por alguns episódios administrativos, a exemplo das greves da DESTRA, dos profissionais da saúde, educação, substituição de secretários, além de conflitos com a base de sustentação na câmara, entre outros, mostrava um prefeito com índices de avaliação sofríveis, fomentando, em alguns momentos, a sensação de que o projeto de reeleição estaria comprometido.

A segunda fase, inicia-se com a propaganda eleitoral de Rádio e TV.

Utilizando-se de eficientes ferramentas de comunicação, a administração conseguiu se mostrar para a população, fazendo chegar ao eleitor todo um arsenal de informações acerca das realizações da gestão do atual Prefeito. Aí computaram-se, não apenas as obras de patrocínio próprio do Município, mas aquelas custeadas pelos governos estadual e federal, como parte da parcerias tão festejadas por Queiroz.

Tudo isso reiterado à exaustão fez com que os índices de satisfação do eleitorado fossem subindo, pesquisa após pesquisa, alcançando 66% de aprovação da administração, conforme se verificou na última pesquisa publicada pelo IBOPE/TV ASA BRANCA, em 21.09.2012.

Ao conseguir elevar os índices de aprovação da administração a tais níveis, José Queiroz criou terreno fértil para o crescimento das intenções de voto em favor da sua reeleição. Neste cenário, o apoio de Eduardo Campos e Lula, sem desprezo de suas importâncias, serviram mais para potencializar uma decisão que, mais cedo o mais tarde, o eleitor tomaria naquele mesmo sentido, talvez em menor intensidade e proporção.

Ou seja, a Eduardo e Lula, com a alta popularidade e credibilidade que detém junto ao eleitorado, restaram dar o “empurrão’ que faltava, para que os eleitores, em sua maioria, já satisfeitos com a administração, se decidissem pela continuidade.

Uma coisa é certa, se a administração de Queiroz estivesse mal avaliada, a influência de Eduardo e Lula restaria bem limitada.

Prova maior de que uma boa avaliação do administrador é bem mais decisiva e importante do que o “andor” simbolizado pelos referidos líderes está na eleição de Petrolina(PE).

Ali, praticamente sozinho, uma vez que não contou com apoio de qualquer “pistolão” da política nacional, inclusive de Jarbas Vasconcelos, em relação a quem fez questão de externar sua decepção pelo adesismo ao Governo, o Prefeito Júlio Lóssio conseguiu derrotar Eduardo Campos, Lula, Dilma, Fernando Bezerra Coelho, sagrando-se reeleito. Ora, se o prestígio de Eduardo fosse o fator principal no processo de decisão do eleitor, como se explica então a derrota dele em Petrolina?

Em síntese, na eleição municipal, o eleitor é bem mais pragmático, decide, de regra, movido pelo sentimento de satisfação com a gestão, principalmente quando se trata de reeleição, deixando em segundo plano as influências dos apoios externos. Estas são bem vindas, sim, mas não é a razão principal de sua decisão.

*Evandro Franca é advogado


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro