31 de agosto de 2013 às 11h25min - Por Mário Flávio

O Brasil foi construído historicamente a partir de profundas desigualdades sociais, econômicas e culturais. A escravidão, a violência, o latifúndio e a exclusão social se tornaram emblemas terríveis de uma sociedade governada por elites que sempre tomaram seu destino como mera expressão da sua própria vontade. Durante mais de cinco séculos, essa elite narcisista e arrogante vem conspirando na medida do possível para que as camadas populares não avancem socialmente, isto é, melhorem objetivamente suas condições de vida e de trabalho.

Mas, sobretudo, elas não admitem a possibilidade deste “povo” ascender ao poder. Causa-lhe enorme mal-estar ser governada por pessoas advindas das camadas populares, mesmo que essas contribuam para aumentar sua fortuna. A “Era Lula” é um exemplo disso, pois as elites nunca ganharam tanto dinheiro como na fase ‘rosa” do PT no poder.

No entanto, nunca deixaram de exalar seus preconceitos de classe, seu mau humor quanto as conquistas sociais do governo, a exemplo dos Programas Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, da política de cotas para as universidades, do PROUNI, do imposto sobre cheque para investimento na saúde, e nos últimos dias, infelizmente, na deflagração de uma campanha repleta de preconceitos contra a presença de médicos estrangeiros no Brasil, principalmente dos cubanos.

O que vemos nessa campanha contra os médicos não é apenas uma crítica à falta de qualidade e de investimentos na saúde pública brasileira, mas, indisfarçavelmente, o imaginário e o sentimento de uma elite que ainda não se desvencilhou do passado da Casa Grande e da Senzala. Uma elite que fala no futuro e no moderno, mas que ainda está presa a um passado arcaico e cheio de mazelas.

Seu orgulho e arrogância não conseguem perceber que a verdadeira modernidade do país passa fundamentalmente pela cidadania do seu povo. Sem essa conquista não passaremos da demagogia de ser o eterno país do futuro. É preciso, portanto, enfrentar o presente, aqui e agora, e não se esconder dele através de retóricas, bravatas e preconceitos.

*José Adilson Filho é Doutor em Sociologia e Professor na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e na FAFICA.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro