16 de fevereiro de 2013 às 09h28min - Por Mário Flávio

Napoleão Bonaparte já exilado na pequena Ilha de Santa Helena ao refletir sobre seu papel na história da França afirmou que o seu maior legado, sua marca, não seriam as suas batalhas e sim o seu Código Civil, pois o mesmo permitiu estruturar o direito moderno e as instituições políticas. Na vida pública infelizmente pouquíssimos ocupantes de cargos políticos terão o direito de adentrar à história, porque apesar de ocuparem e exercerem o poder estão mais preocupados em abusar da máquina do que em usá-la em prol da sociedade.

Mesmo aqueles detentores de altos índices de aprovação popular não merecerão nem uma mísera nota de rodapé, pois ao se afastarem dos seus cargos públicos não deixarão marcas na sociedade, um legado que faça a diferença. Podem até deixar obras de pedra e cal, mas não tornarão a sociedade melhor, mais justa.

O poder pode ser usado em proveito próprio, em ações de autopromoção ou em benefício do bem maior e nesse aspecto a vida de Fernando Lyra o gabaritou para merecer estar entre aqueles que moldaram o Brasil Moderno, pelas suas ações ele construiu um legado sempre associado à liberdade e a democracia; como ficou evidente nas manifestações de solidariedade e apreço divulgadas por seu falecimento por lideranças nacionais e estaduais dos mais diversos espectros políticos.

Combinava as duas características essenciais a um líder definidas por Maquiavel, a virtude e a fortuna, a primeira entendida como a capacidade intelectual e moral e a segunda como sendo as circunstâncias, as oportunidades. Um bom líder deve ter o preparo para quando as oportunidades aparecerem o mesmo possa ocupar seu papel na história. Nesse aspecto Fernando Lyra foi um exemplo, num momento negro da nossa história em que seria mais cômodo ser situação, o mesmo ocupou o papel de oposição e assumiu publicamente como bandeira de luta a redemocratização da nossa sociedade e a implantação do Estado democrático de direito, talvez algo difícil de entender para quem tenha menos de trinta anos.

Nos estertores do regime militar articulou a candidatura de Tancredo Neves, como sendo a única capaz de derrotar Maluf e ser aceita pelos militares, como ministro da justiça acelerou a remoção dos entulhos legais da ditadura e soube se afastar do poder quando o Governo Sarney demonstrou incapacidade em honrar os princípios assumidos por Tancredo.
Por sua fidelidade aos seus ideais, sua capacidade em articular, em negociar, sendo intransigente apenas na defesa da ética e da liberdade, Fernando Lyra tornou-se o político caruaruense de maior expressão no cenário nacional da nossa história recente.

Mesmo ausentando-se da política partidária continuou como referencial na política nacional e estadual, verdadeira reserva moral, encarnando o político ideal. E nesse momento em que a sua vida se encerra, seu legado permanecerá como um lembrete as gerações futuras de que é possível fazer política sem abrir mão dos ideais e valores morais.

*Mário Benning é analista político


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro