4 de abril de 2020 às 08h39min - Por Mário Flávio

Uma figura obscura da política, sem experiência em gestão pública, muito menos em questão sanitária, aconselha o Presidente.
A maior qualidade desse conselheiro incomum é ser membro da família do mandatário de ocasião e ter coordenado sua campanha digital, ou seja, sem os vínculos familiares provavelmente o Presidente jamais o chamaria a fazer parte das tomadas de decisões, principalmente nesse momento decisivo de crise contra o coronavírus.

Os conselhos erráticos do conselheiro familiar, para assuntos de Estado, ajudaram a classificar a pandemia do coronavírus e os pedidos do governador da cidade mais populosa do país como alarmistas. A sua influência junto ao Governo Federal escandalizou a opinião pública, ou parte dela, onde consideraram, alguns, claro, que seus conselhos, no mínimo, colocam em risco a vida da população.

Por sua vez, em dado momento, o Presidente minimizou os efeitos do coronavírus, comparando-a a uma gripe sazonal e incomodando-se com os impactos financeiros da crise, e trata a Presidência como uma empresa familiar. Nessa tragédia, as resposta a desastres requerem disciplina e adesão a uma cadeia de comando clara. Estamos nos deparando com vários centros de poder que são concorrentes e que impulsionam respostas que podem ser caóticas, Em vez de unidade, temos divisão, muito por conta da personalidade do Presidente, como também de seus conselheiros e, em especial, o nosso personagem.

No próprio Governo Federal existem energias e centros de poder concorrentes com abordagens distintas para um problema comum. O Governo mergulhou em uma camada de confusões e sinais conflitantes, com respostas desarticuladas. Mas não estamos falando do Presidente Bolsonaro ou de seu filho Carlos, e sim do Presidente Donald Trump, que no momento de crise toma conselhos com o Conselheiro sénior da Casa Branca: Jared Corey Kushner, seu genro, casado com a filha, Ivanka, e que ajudou a desenvolver e executar a estratégia de comunicação digital de Trump.

E sim, o Presidente Donald Trump minimizou os efeitos do coronavírus, quando disse, em 7 (sete) de março: “Não, não estou nem um pouco preocupado” [com o novo coronavírus]. Já o Governador da maior cidade do país, não é João Doria e sim Andrew Cuomo, Governador do Estado de Nova York, pediu 30.000 ventiladores no ápice do surto de coronavírus. Kushner, genro de Trump, decidiu que Cuomo estava sendo alarmista.

Internamente, o conselheiro Jared Corey Kushner entra em choque com parte do Governo em uma queda de braço com o vice presidente do Estados Unidos, Mike Pence, também designado para tratar da crise do coronavírus. Apesar dos percalços inicias, parece haver uma correção de rumos no trato da crise do COVID 19, o que esperamos que aqui também ocorra.

Os Estados Unidos registraram 5.116 mortos e 215.417 casos confirmados.

*João Américo é advogado


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro