1 de novembro de 2013 às 06h38min - Por Mário Flávio

Há um dilema sendo vivido entre políticos e partidos nesta fase delicada de preparação para o pleito de 2014. Mesmo oficialmente não existindo ainda candidaturas já é possível desenhar situações, antecipar cenários. Não dá para subestimar a capacidade de articulação nem de desenvolver estratégias de Eduardo Campos, até pelo que já foi mostrado numa dimensão bem menor (no caso da capital do estado) se comparado com a federação. Muito menos as de Lula, com uma trajetória que já demonstrou suas habilidades políticas. A tentativa de alienar Marina do processo só deu mais fermento aos que acham que a gestão do PT já deu o que tinha que dar.

Num segundo mandato no meio, o prefeito se encontra numa posição delicada em relação as suas bases de voto, que são de início os vereadores. Mesmo sendo uma eleição numa dimensão mais ampla a estrutura montada é semelhante a de 2012, parte da mobilização de casa em casa e nos bairros, onde cada edil tem seus contatos. Organizadores e estrategistas do governo local terão que administrar uma situação nova, com palanque onde poderão estar juntos discursando opositores históricos.

Fato novo também para o PT equacionar, pois sendo delegado a cada diretório municipal decidir, havendo oposição (ou vamos dizer opção) a Dilma, a entrega dos cargos ou não, parece aquele tipo de asa que aprisiona. Assim como foi dito anteriormente que não fariam o gesto de SAIR da prefeitura de Recife e do governo do estado, quem pode garantir que ao compasso dos acontecimentos, a legenda não tenha que fazer o mesmo aqui?

Caso contrário, como cobrar fidelidade aos vereadores da base que vistam a camisa de Campos tendo dentro da própria gestão quadros ocupando cargos elevados publicamente se opondo a isso?

HÁ ASAS QUE APRISIONAM – As mesmas asas que nos dão mobilidade podem nos deixar acomodados. Há pessoas que usam asas para alçar vôos altos, mas depois, comodamente, se instalam, e em alguns casos até se livram delas, chegando ao ponto de não mais precisar das mesmas. As asas, que lhes davam certa liberdade, são abandonadas em nome de uma relativa segurança.

Ora abrimos mão de nossa liberdade em nome de uma segurança aparente, ora ficamos presos por causa daquilo que nos tornava livres. Então não deveríamos nunca nos desfazer delas, garantindo assim a possibilidade de movimento e, por consequência ter a liberdade garantida.

JUSTA HOMENAGEM – Sessão solene nesta semana (29) celebrando os 25 anos da promulgação da Constituição Federal, 24 anos da Constituição Estadual, 23 anos da Lei Orgânica de Caruaru e o resgate dos diplomas de vereadores eleitos na década de 60, mas cassados pela ditadura. Este blog bem concluiu reportando o evento “a necessidade de relembrar e comemorar o processo de redemocratização, e como essa construção política em busca de participação social e diálogo, no País de Caruaru, ou no restante do Brasil, não pode apenas se restringir a intervalos de homenagens solenes.”

JUSTIÇA PARA MATTOS – O julgamento dos assassinos de Mattos, marcado para 18 de novembro, na Paraíba, é o primeiro a ser federalizado na história do Brasil. Mattos dedicou sua vida à defesa de trabalhadores rurais e à denúncia incansável da atuação de grupos de extermínio na região da divisa entre os estados de Pernambuco e Paraíba. Foi executado a tiros na Paraíba em 24 de janeiro de 2009, quando estava há dois anos sem escolta policial.

PARA REFLETIR

“É muito preocupante o futuro do nosso pais, uma vez que a partir da quarta feira, as mesas de bares se enchem de gente que muitas vezes cobram um Brasil melhor, mas não participam daquilo que lhe interessa, permitindo assim, que outras pessoas decidam por elas.” (Milton Manoel).

*Paulo Nailson é dirigente político com atuação em movimentos sociais e na cultura, Cursa Serviço Social. Membro da Articulação Agreste do Fórum de Reforma Urbana (FERU-PE) e Articulador Social do MTST. Edita a publicação cristã Presentia. Foi dirigente no PT municipal por mais de 10 anos.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro