21 de fevereiro de 2020 às 11h25min - Por Mário Flávio

Caruaru celebrava o Carnaval antes mesmo do nascimento do Frevo, ritmo genuinamente Pernambucano, que nasceu em 1907. Falando em frevo, nunca é demais lembrar a santíssima trindade: Capiba, Nelson Ferreira e Claudionor Germano! Segundo registros da época, em 1904 a população da nossa cidade foi para rua da Matriz brincar o período de Momo com a singularidade que havia no início do século passado.

As ruas Vigário Freire, Matriz e Praça Henrique Pinto eram tomadas por foliões, em sua maioria vestidos de roupas brancas e camisas listradas, no estilo “ a la marinheiro”. A alegria era complementada pela sonoridade das bandas Comercial e Nova Euterpe, que numa saudável disputa de repertório, embalavam os descontraídos foliões.

Vale também o registro da “decência” nas vestimentas e fantasias, onde predominavam os homens, e as moças de boa família se limitavam a assistir de uma certa distância, geralmente nas janelas das casas ou calçadas das ruas, pelo bem da decência e bons costumes da época.

Nos anos 30, com uma população em torno de 15 mil habitantes, surgem os blocos “Batutas de Caruaru”, “Cachorro do Homem do Miúdo”, “Independentes”, e ainda os clubes “Vassouras” e “Toureiros”. Registram-se também o aguardado “desfile do corso” motoristas afortunados que desfilavam seus calhambeques pelas ruas empoeiradas da cidade.

Na época, os clubes socais Cassino, Central e Esporte promoviam bailes para arrecadar recursos e investir no carnaval de rua.
Por décadas houve um crescimento contínuo da tradição, e o festejo atinge seu auge na década de 50, com destaque para o ano de 1956, e três agremiações comandaram a festança, respectivamente “Sapateiros em Folia”, “Motoristas em Folia” e “Vassourinhas”.

Nos anos 60 o bloco Sou Eu Teu Amor cai na graça dos caruaruenses, e marca uma década de presença garantida, ao som do frevo e samba “made in Caruaru”. Chico Porto, Zé de Nei, Carlos Fernando e Onildo Almeida são nomes que fortaleceram muito o nosso Carnaval, compondo marchinhas e participando ativamente dos eventos da época.

Nos registros históricos, a segunda metade dos anos 70 marca a decadência do carnaval organizado nas ruas centrais, mas ainda seguem firmes iniciativas de Jota Lagos e Cervantes – ambos de saudosa memória – promotores dos bailes Vermelho e Branco, Preto e Branco, Manhãs de Sol, Desfile de Fantasias e eventos similares até meados dos anos 2.000

Na década de 80, os caruaruenses descobrem o rumo do litoral de Alagoas e Pernambuco, e somado a menores investimentos na decoração das ruas e apoio às agremiações, assistimos as mudanças nos hábitos dos foliões e o esvaziamento do evento. Dando um salto na história, Caruaru revive parte de sua alegria nas prévias que acontecem uma semana antes do Carnaval nacional. O radialista e incentivador da cultura Hélio Vasconcelos e o empresário e memorialista Dorgival Melo, conhecido pelo codinome Nobreza, receberam justa homenagem na edição 2020 das prévias carnavalescas. Ano após ano, a estrutura avança, a imprensa divulga e o público corresponde, numa doce lembrança do que já vivemos como marca social.

Viva o Frevo, viva a alegria, vivam as tradições culturais brasileiras.

Prof. José Urbano


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro