20 de abril de 2020 às 08h23min - Por Mário Flávio

As dores do coronavírus mudarão substancialmente a sociedade, e o mundo será dividido fatalmente em Antes e Depois do Cornonavírus, o AC e DC. Com esperança, a humanidade ressurgirá com vitalidade e inovações depois desses tempos difíceis. As mudanças sociais são sempre graduais e lentas, existindo resistência a transformações radicais. A história nos ensinou que três fatos aceleram o curso natural das mudanças, são eles; guerras, revoluções e epidemias.

Não se pode negar que nos muros e portas cerradas das crises, abrem-se as janelas de oportunidade para as mudanças. Hoje, o caos, com a sua intensa turbulência, apodera-se do mundo, abrindo-se espaços vazios que deverão ser preenchidos. O vazio criado pelo caos vai tornar possível a emersão do novo.

A teoria do caos, uma das leis importantes do universo e que definem quase toda a essência do que nos cerca, estabelece, em linhas gerais, que uma pequenina mudança no início de um evento qualquer pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Um morcego infectado por um vírus na China pode ser o responsável pelo fechamento de escolas em Caruaru. Em uma atitude estética e não metafísica, ou física, Fenando Pessoa asseverava que “o caos é um fenômeno furioso”, e no meio da fúria ocorrem mutações intensas.

Ainda é cedo para definir qual será a face da mudança que certamente já está em curso, o que existe é uma mutação intensificada, desestrutura em todos os setores da vida social, que desmonta e destrói alguns padrões e esquemas conhecidos e confortáveis. Todo esse movimento caótico e transformador ocorre de forma parcial e progressiva, mas a catástrofe que se sucede e com ela outras catástrofes (sanitárias, humanitárias, econômicas, democráticas), que, somadas, são parte de uma grande catástrofe, transformará o que era indeterminável e caótico em um território fértil para a reconstrução no limiar do nascimento do poder criador.

Depois do caos nascerá, certamente, um novo regime de energias de alta intensificação que a crise do coronavírus produziu. Estamos sendo expostos inconscientemente às condições de criação do novo.

Podemos pontuar que existem tendências todas ligadas à internet, fortalecimento do estado, da ciência e da solidariedade.

Passaremos das relações interpessoais imprescindíveis para qualquer atividade humana para relações digitais, veremos a nova era emergir como os tempos da hiper ou ultra conectividade, crescerá a interconectividade global. O mundo ficará mais plano, não do ponto de vista físico, mas nas relações, seremos uma sociedade interconectada. A internet passará a ser bem de consumo de primeira necessidade, não poderá faltar nas casas, água, luz, gás e internet.

Nosso planeta será interconectado, interdependente – e de muitas maneiras até fundido. Viagens de negócios, teletrabalho, trabalho remoto, ou ainda home-office darão a tónica da atividade laboral nos próximos anos. O comércio digital chamado de e-commerce, ocupará mais espaço em nossas vidas. A indústria de entretenimento será mais ligada aos serviços de streaming, o modelo comercial estabelecido de criação e distribuição de conteúdo de entretenimento, música, cinema, teatro ficará mais intensificado pela internet. O modelo educacional migrará para o ensino on-line.

Para a economia, fomento aos empregos e geração de renda. Um Estado forte. A força motriz da sociedade será o estado que ficar na condição de pós-estado liberal, com uma nova redefinição acerca do chamado bem-estar social, ou Estado providência.

Já no campo da solidariedade, o chamamento à dedicação às dores do outro será uma constante. A sociedade se organizará ainda mais no ato de enxugar as lágrimas do próximo, acudir os que sofrem, pois a dor do outro me afeta, lhe afeta e, desse modo, temos que entender que nada será como antes.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro