7 de setembro de 2012 às 18h50min - Por Mário Flávio

Hoje algumas questões eu gostaria de abordar com os leitores, e a última delas me deixa quedado. A proposta não é dar respostas ou apontar o caminho mas levar você a pensar um pouco enquanto ler.

Em sua 18ª edição, o Grito dos Excluídos, realizado na semana chamada “da Pátria”, principalmente no 7 de setembro, vem perdendo o poder de mobilização e agregação de movimentos sociais.

A própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reconheceu isso e segundo ela “deve-se a movimentos descentralizados em todo o País.”

Caruaru já tinha uma dificuldade em realizá-lo e a cada ano esse ato tem efeito de pouco impacto na sociedade.
Há estudiosos que pesquisam o fenômeno da fragilidade e desmobilização dos Movimentos Sociais dos anos 90 pra cá e isso se reflete em momentos como esse do grito.

Toda a luta política dos movimentos sociais resulta numa tentativa de construção de uma identidade sócio-cultural. É preciso saber diferenciar A política dos movimentos sociais que é uma luta original e contextualizada, da política para os movimentos sociais, que é outra realidade.

A chegada ao poder de um partido historicamente de esquerda, mesmo levando em conta que chegar ao poder não é a mesma coisa que tê-lo, traz consigo uma desmobilização da massa, quando parte dos lutadores do povo desloca-se para os gabinetes, não generalizo, mas acabamos vendo em diversos casos alguns “os de baixo” dirigindo com o mesmo programa “dos de cima”, e as vezes repetindo os mesmos vícios que antes condenavam.
Teriam sido inválidas tantas décadas de luta contra a desigualdade e por uma sociedade diferente à capitalista?

As conquistas e avanços, ainda que não definitivos implantados a partir de Lula, teriam acomodando uma parcela dos que convocam o povo para a luta? E as velhas questões do conflito entre aparência e essência voltam a nos inquietar. Estará mesmo o Brasil tão blindado e tão bem comparando com outras nações afundando em crise ou é tudo uma maquiagem bem feita e a miséria está longe de ser erradicada?
A crise dos movimentos sociais brasileiros remonta a antes do atual governo petista, faz parte de uma crise mais ampla aberta com a avalanche neoliberal que se abateu sobre o mundo, inclusive com a baixa do socialismo real e a defensividade vivida no final do século passado pelas idéias libertárias e socialistas. Podemos fazer relação também entre a crise dos movimentos sociais e a crise dos partidos políticos de esquerda neste mesmo período.

Com a abertura política que se deu nos anos 80, uma “nova racionalidade” surgiu entre os movimentos populares, a noção de direitos e participação popular tomou grande proporção, resultando na consolidação desse movimento com a Constituição de 1988. Esse processo de institucionalização dos movimentos sociais, com a orientação das normas vigentes na sociedade em suas ações, ainda colocou em prática o uso de assessorias por parte dos movimentos sociais para a elaboração de suas políticas. É comum ver técnicos sem a formação original nas bases do movimento ganhando dinheiros para elaborar projetos ou até mesmo oportunistas sem formação socialista que criam Ocipes e Ongs para faturar com isso.

Maria da Glória Gohn (Movimentos Sociais e Educação – Cortês 1992), ressalta o caráter da “cultura política existente” e suas implicações concretas nas ações dos movimentos sociais. Colocando que os “vícios, hábitos e valores seculares” contribuíram para o não desenvolvimento de um projeto claro que viabilizasse a inversão das relações sociais existentes. Ela considera que os movimentos sociais são históricos e estão embutidos numa historicidade particular, a autora desenvolve a tese de que os movimentos populares estão numa “fase de refluxo” e, por serem históricos, “se transformam, agregando elementos novos, ou negando velhos, segundo a conjuntura do momento histórico.

Com ressalvas a movimentos como o Sem Terra e Sem Tetos, que ainda conseguem reunir, organizar, formar militantes e mobilizar, e alguns outros eventos que marcam o passo de muitas lutas, como Comitês, Conferências, etc. O refluxo pode ser constatado, resta saber se no futuro, conseguiremos ter mais pessoas pensando coletivamente e menos individualmente.

Na canção Travessuras, de Osvaldo Montenegro, há uma frase bem apropriada para isso: “Me disseram que sonhar era ingênuo e daí? Nossa geração não quer sonhar. Pois que sonhe, a que há de vir”.

ELEIÇÕES 2012

Pragmatismo na política nesta reta final da campanha é o que mais será visto, onde não importa se é certo, importa que o resultado seja alcançado.

ELEIÇÕES 2012 E OS EVANGÉLICOS

Há os de fora que se aproveitam, e os de dentro que se deixam aproveitar. É do falecido bispo Robinson Cavalcanti o alerta: “A falta de memória dificulta a construção de uma identidade. Muitos acham normal o clientelismo, o “franciscanismo” (“é dando que se recebe”). Deus, com certeza, cobrará dessas lideranças evangélicas as inverdades disseminadas que promoveram o medo, bem como dos que encaram o Estado apenas como um espaço de busca de privilégios ou de favores, e não de testemunho moral e de serviço.”

*Paulo Nailson é dirigente político com atuação em movimentos sociais, Membro da Articulação Agreste do Fórum de Reforma Urbana (FERU-PE) e Articulador Social do MTST. Edita a publicação cristã Presentia. Foi dirigente no PT municipal por mais de 10 anos. Cursa Serviço Social.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro